Fusca

Fusca

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

BAGAGITO


Chiqueirinho é a designação popular dada ao compartimento de bagagens do Fusca localizado atrás do banco traseiro. Chiqueiro é o local onde se criam porcos. Chiqueirinho, contudo, é uma referência a uma área cercada com grades de segurança, e que contém brinquedos para distração das crianças. Dada à semelhança do compartimento de bagagens traseiro do Fusca com o chiqueirinho infantil, o apelido pegou. Em verdade, o chiqueirinho do Fusca é o local preferido das crianças. Qual guri não gosta de ficar ali atrás?

Catálogo de acessórios da década de 1950: chapéu repousando no bagagito de um Fusca Split.

Todavia, para tristeza dos bambinos, era bastante comum a instalação no local de uma tampa, conhecido como bagagito ou tampão traseiro. Tinha por finalidade facilitar aos passageiros do banco de trás o acesso fácil a pequenos objetos, tais como chapéus, guarda-chuvas, bolsas, etc, guardados sobre o tampão, evitando maiores contorcionismos para guardar e retirar esses pertences do fundo do compartimento.


Anúncio de março de 1959.

Para permitir melhor aproveitamento desse valioso espaço, era comum na Alemanha e EUA a fabricação do bagagito com uma sobre-tampa articulável, de modo que fosse possível guardar e retirar objetos do compartimento sem precisar mover todo o bagagito. Uma das empresas alemãs que fabricou o acessório foi a KAMEI. 

Bagagito com sobre-tampa articulável e botão.

Bagagito com sobre-tampa.

O uso do bagagito favorecia a discrição, uma vez que os objetos ali guardados não chamassem tanto a atenção, principalmente dos  olhares mais ávidos das coisas alheias. Ademais, o bagagito funcionava também como um anti-ruído, pois ajudava a reduzir o barulho do motor no interior da cabine.

 Bagagitos com tampa e alto-falantes.

A partir dos anos de 1960, com a popularização dos auto-rádios, o bagagito prestou-se, também, para a instalação de alto-falantes, melhorando a propagação do som no interior do Fusca. Normalmente, instalava-se um ou dois alto-falantes no tampão traseiro. A partir da década de 1970, além dos alto-falantes, era obrigatório a colocação de "tweeters" para complementar o sistema de som.

Anúncio de dezembro de 1968.

O bagagito era simplesmente encaixado no compartimento do porta-malas, não sendo necessário qualquer parafuso ou outro sistema de fixação. Feito com estrutura de madeira, era coberto com courvin ou outro tipo de tecido, normalmente seguindo o mesmo padrão da forração dos bancos.

Linha de produtos da PROCAR para 1970: dentre eles, o tampão do chiqueirinho.

O acessório podia ser feito artesanalmente por qualquer tapeceiro ou estofador. Todavia, alguns empresas nacionais fabricaram o bagagito, citando-se a SAREL, PROCAR, WEGA, CAPAS COPACABANA e MARPLEX, que podiam ser encontrados em qualquer boa loja de acessórios automotivos.

WEGA foi uma das fabricantes brasileiras do bagagito.

Bagagito em vermelho no mesmo padrão da forração dos bancos.

Tampão seguindo o mesmo padrão dos bancos era a regra.

Fusca 1500 com tampão e alto-falantes instalados.

Fusca da década de 1980 com alto-falantes acoplados no bagagito.

Outra utilidade do tampão: exibir a coleção de escudos, mania alemã nos anos 50 e 60.

Anúncio de julho de 1985.

No final da década de 1970, tornou-se comum a instalação do bagagito com leve inclinação, de modo que o tampão ficasse entre a base do vigia e o banco traseiro. Dava um visual mais agressivo pelo fato de deixar mais à vista os "modernos" alto-falantes e tweeters, normalmente da marca NOVIK, ARLEN, SELENIUM, TRUFFI e MECCA.

Fusca 1979 com tampão inclinado.

Os alto-falantes podiam ser embutidos ou instalados sobre o tampão. Acima, caixas de alto-falantes da marca MECCA.

Anúncio de dezembro de 1965.

Já a empresa nacional C.F. DEL NERO S/A, de São Paulo (SP) disponibilizou para ser instalado no chiqueirinho do Fusca uma geladeira e uma estufa, cujas tampas eram cobertas com napa, que, segundo o anúncio de época eram de "cores atuais, que combinam perfeitamente com o estofamento do carro". As tampas da estufa e da geladeira, quando fechadas, formavam o bagagito.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

ESTABILIZADOR TRASEIRO


 

O estabilizador é uma barra transversal que interliga dois lados da suspensão de um veículo com vistas a aumentar a resistência à inclinação da carroceria nas curvas ou em mudanças bruscas de direção. A barra estabilizadora auxilia no grau de aderência do veículo, minimizando a tendência de subesterçar ou sobreesterçar.

Jornal O Globo, edição de 07 a 13 de fevereiro de 1969: notícia sobre um novo acessório: o estabilizador traseiro para o Volkswagen Sedan.

Conforme já comentamos em tópico anterior, o Fusca ganhou estabilizador dianteiro a partir de agosto de 1959 (para mais informações, clique aqui). O estabilizador traseiro, por sua vez, começou a equipar o besouro somente a partir de agosto de 1970, e apenas no modelo com motor de 1500 cm3, o popular Fuscão.

 Anúncio de dezembro de 1969.
 
Todavia, muito antes de o Fusca passar a vir equipado de fábrica com o estabilizador traseiro , o mercado de acessórios já oferecia o equipamento para ser instalado no veículo. Em meados dos anos de 1960,  o equipamento era vendido nos EUA para equipar o besouro. Uma das empresas que vendiam o acessório mecânico era a EMPI.
 
Catálogo da EMPI.
 
No Brasil, o estabilizador traseiro foi fabricado pela BRAZ & TESTA (marca SEGURANÇA) e por NELSON G. DE CAMARGO IND. E COM. (marca NGC), dentre outros.
 
Anúncio de setembro de 1970.
 
Inicialmente feito apenas para o Fusca, o estabilizador também passou a ser disponibilizado também para a Kombi e Karmann-Guia e, nos anos de 1970, também o SP1/2, Variant, Brasília e Karmann-Guia TC.
 
Anúncio de outubro de 1974.
  
Estabilizador traseiro instalado em um Fusca.

O estabilizador traseiro também foi feito para equipar a Kombi.

Estabilizador para Kombi da marca SEGURANÇA.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

CABEÇOTE DA SUSPENSÃO


O cabeçote da suspensão dianteira do Fusca, também conhecido por "suporte do eixo dianteiro", "cabeçote do chassi" ou, simplesmente "focinho de porco", é parte integrante do chassi do Fusca, sobre o qual é fixado o quadro da suspensão dianteira. É por sua abertura frontal que se retira o varão do câmbio, sempre que necessário para sua manutenção. Também é pela parte superior do cabeçote que se inicia a linha de combustível que interliga o tanque ao motor. 

Vista explodida do cabeçote da suspensão dianteira.

O cabeçote do chassi é composto de três partes distintas: chapa frontal onde é fixado o quadro da suspensão e de onde sai o varão de câmbio, o cabeçote propriamente dito que se fixa ao túnel central e a chapa inferior, conhecido popularmente por bandeja ou asa de morcego. Ao conjunto completo, com as três partes unidas por solda, dá-se o nome de cabeçote montado. Uma tampa o cobre o orifício da chapa frontal, fixada por dois parafusos sextavados (M 6x12 DIN 933, galvanizados) e uma junta de borracha.
  
Vista da parte superior do cabeçote.

A despeito de ter havido modificações no formato do cabeçote ao longo dos anos, uma das maneiras mais simples de se identificar parte dessas alterações é por meio da observação do "shape" da chapa frontal e da tampa que a cobre. Isso permitirá, inclusive, indicar se o cabeçote foi, ou não, trocado, uma vez que, via de regra, quando ocorre esse reparo, coloca-se um cabeçote "moderno" considerando que os "antigos" não são mais fabricados.


Chapa frontal do cabeçote: modelo utilizado até 1967.

A chapa frontal do cabeçote utilizado até agosto de 1967, dado o formato de sua abertura, passou a ser popularmente conhecido por "focinho de porco". Os dois pequenos orifícios, que eram utilizados até 1955 para acomodação dos cabos do freio de mão, assemelham-se bastante às narinas de um porco.

"Focinho de Porco": designação popular dada ao cabeçote do chassi.

Até 1955, a tampa utilizada para cobrir o cabeçote do chassi era avantajada, pois precisava cobrir as partes e peças do cabo de freio de mão que, até aquele ano, ficava ali localizado para permitir sua regulagem ou troca. Do mesmo modo, essa tampa "gordinha" visava bem cobrir o sistema de varão que ainda era utilizado no Fusca Standard (no Fusca Luxo/Exportação os freios hidráulicos foram introduzidos já a partir de abril de 1950).


Tampa do cabeçote do chassis utilizada até julho de 1955, chassi 1-929.745.

"Varão" do freio de mão utilizado até julho de 1955.

A partir do lançamento do modelo 1956, ocorrido em agosto de 1955, o formato do cabeçote permaneceu o mesmo; mudou, apenas, a tampa, que passou a ser fininha. Essa mudança na tampa só foi possível em face da mudança do local de regulagem do cabo do freio de mão que passou do cabeçote para próximo da alavanca.

Nova tampa do cabeçote utilizada a partir do modelo 1956.

Em agosto de 1967, nova mudança. Desta feita, a abertura da chapa frontal do cabeçote mudou e passou do formato "focinho de porco" para uma abertura retangular. Com isso, a tampa também foi alterada, diminuindo seu tamanho.

Cabeçote utilizado a partir de agosto de 1967, chassi B 7-380 066 até maio de 1978.

Importante lembrar que, a partir de agosto de 1970, com o lançamento do Fusca 1500, que passou a utilizar suspensão dianteira de pivô, o cabeçote foi modificado para esse modelo (e para os demais que utilizavam suspensão de pivô). Esses cabeçotes tiveram mudanças em seu formato para acomodar a nova suspensão, dentre elas uma distância maior entre os parafusos de fixação do quadro da suspensão. A partir de então - e até 1981 - coexistiram dois tipos de cabeçote: um para a suspensão de embuchamento (modelo 1300) e outra para suspensão de pivô (modelos 1300-L, 1500 e 1600).

Fusca 1975 com tampa pequena.

Acima, perceba a diferença no tamanho entre as tampas do cabeçote. A pequena utilizada a partir de agosto de 1967 e a maior, utilizada de agosto de 1955 até julho de 1967.

Em junho de 1978 ocorreu outra alteração no cabeçote. Desta feita, o orifício destinado à retirada do varão de câmbio passou a ser completamente redondo, ocasião em que se introduziu uma tampa plástica para fechamento do local.

A partir de junho de 1978, nova alteração no cabeçote, agora com orifício central totalmente redondo.

Agora, a tampa do cabeçote passou ter formato redondo e feita em material plástico.

Em novembro de 1981, todas as versões do Fusca passaram a vir equipados com suspensão por pivô, ocasião em que o cabeçote frontal do chassi passou a ser o mesmo para todos os modelos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

SEMÁFORO

  
As cores do semáforo (ou sinaleiro, a depender da região) são universalmente compreensíveis e ditam as regras para uma convivência civilizada e segura no trânsito. Normalmente utilizado em esquinas mais movimentadas, o vermelho é ordem de parada; o verde: siga; o amarelo: preste atenção, reduza a velocidade.
 
Conjunto-alerta fabricado pela Bianco & Savino.

Baseado nesse conceito, a indústria de acessórios automotivos desenvolveu no início de 1960, um pequeno apetrecho eletrônico com formato de semáforo que  tinha por função alertar  quem vinha atrás sobre algumas ações praticadas no veículo da frente, tais como aceleração,  desaceleração e frenagem, tornando mais previsível, e, portanto, mais seguro, o comportamento do motorista no trânsito. 

 
O equipamento tinha três cores diferentes, cada qual indicando uma ação. O vermelho indica que o freio foi acionado; o amarelo alerta que o motorista deixar de acelerar o veículo, ou seja, tirou o pé do  acelerador, sem, contudo, acionar o pedal de freio; o verde avisa que o veículo está sendo acelerado.
 
Instruções de instalação.
 
Para seu perfeito funcionamento, faz-se necessário uma série de procedimentos para a correta instalação do equipamento, que perpassa pelo pedal do acelerador e o cilindro-mestre de freio.
 
 Equipamento produzido pela americana BARTON MFG CO de Chicago.
 
O conjunto de alertas nasceu nos EUA, tendo sido fabricado pela BARTON e STADCO. No Brasil, sua produção coube à BIANCO & SAVINO.
 
Modelo "Life-Saver" feito pela empresa estadunidense STADCO.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

BORRACHA DO CAPÔ DIANTEIRO

A junta vedadora da tampa da mala, também chamada de borracha do capô dianteiro ou guarnição de vedação do porta-malas, acompanhou o Fusca desde sua concepção e, durante longo tempo, constituía-se de três peças distintas: duas que contornavam o arco do capô na carroceria e, outra, menor, na parte superior. A borracha do capô tem a função de vedar o porta-malas de modo a evitar a entrada de água e poeira.

Catálogo de peças onde os números 45 e 46 representam as guarnições utilizadas para vedar o capuz dianteiro do besouro, num total, como dito, de 3 (três) peças.

Na foto acima, percebe-se melhor a borracha de vedação: a superior e a lateral que contorna o arco do capô. Como se observa, as extremidades de encaixe do capô ficavam sem qualquer vedação.

A borracha é encaixada na carroceria sob um perfil metálico popularmente conhecido por macarrão ou macarrãozinho.

A partir de junho de 1964, chassi nº B4 167.963, a borracha passou a contornar a totalidade do capô, inclusive nas extremidades superiores, aprimorando a vedação. Agora, a guarnição passou a ser inteiriça ao invés das três partes como era até então. Para tanto, houve mudanças na carroceria com a introdução de três pequenos orifícios nas extremidades do capuz, para permitir o encaixe da borracha também nesse local.

 Assim, a borracha ganhou três saliências (popularmente conhecidas como mamiquinhas) para comportar a perfeita acomodação naquelas extremidades.

A partir de agosto de 1970 (modelo 1971), com a alteração do formato do capô, o comprimento da guarnição ficou menor. Porém, o sistema de fixação permaneceu o mesmo.
Com o lançamento do Fusca Itamar (1993-1996), a carroceria perdeu o macarrão de encaixe da borracha.

A partir de então, a borracha passou a ser encaixada diretamente no capô dianteiro.