Fusca

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quinta-feira, 13 de abril de 2017

COMO FIXAR UM FAROL AUXILIAR?

 
Farol auxiliar instalado em um Fusca 1960.
 
Tão importante quanto conseguir um belo par de farol auxiliar antigo para equipar seu Fusca, é instalá-lo da maneira correta, utilizando-se, tanto quanto possível, das soluções de época, que, por sinal, eram as mais variadas possíveis, conforme adiante veremos.

 
Picareta com encaixe do farol auxiliar.

Na Alemanha, nos idos de 1950,  foi disponibilizado uma picareta (também conhecido como batente ou garra de proteção do pára-choque) que, substituindo a original, possuía um leve alongamento em sua base superior onde um orifício permitia o perfeito encaixe do farol auxiliar.

Batentes alemães com encaixe do farol auxiliar.
 
Fusca com batentes especiais para instalação do farol de neblina.
 
Outro modelo utilizado na época, mais comum de se deparar, eram fixados nos suportes de fixação do pára-choque, ajustados com porca e um parafuso central.
 
Catálogo de acessórios com alguns suportes de instalação de faróis auxiliares.

Modelos para fixar nos suportes dos pára-choques do Fusca.
 
A Hella e a Bosch fabricaram um suporte mais simples, porém não menos eficaz, que era fixado no poleiro (tubo superior) do pára-choque, constituído, basicamente, duas abraçadeiras que se uniam em torno do poleiro. A vantagem desse suporte é que ele podia ser invertido, possibilitando que o farol ficasse instalado em posição mais baixa, entre o poleiro superior e a lâmina do pára-choque.
 
Suporte da Hella em Catálogo de época.
  
Suporte para ser instalado no tubo superior do pára-choque.

Farol instalado entre o poleiro e a lâmina do pára-choque.
 
Espaçador servindo de suporte para farol auxiliar.
 
Outra solução adotada na época foi utilizar o espaçador da lâmina de pára-choque original como base para fixação do farol auxiliar. Em verdade, o espaçador original era trocado por outro, fabricado especialmente com a base superior para instalação do equipamento de iluminação, o que exigia a desmontagem do pára-choque dianteiro. Esse espaçador ou chapa de reforço do pára-choque foi utilizado pelo Fusca, como item original, entre outubro de 1952 e julho de 1970.

Faróis de neblina fixados nos espaçadores da lâmina de pára-choque.
 
Chapa de reforço do pára-choque com base superior dupla: de um lado podia ser instalado um farol auxiliar e, de outro, uma buzina adicional (do tipo fanfare).

Variação do suporte de farol auxiliar utilizando o espaçador do pára-choque.
 
Bastante comum nos anos 60, a ROSSI e CIBIÉ dispunham de um suporte específico para ser instalado no Fusca daquela época, que utilizava o tubo superior do pára-choque (poleiro). Eram fixados utilizando os próprios parafusos originais do pára-choque.
 
Suporte específico para uso nos pára-choques com poleiros.

Farol APRILIA com os suportes de poleiro.
 
Detalhe do suporte do farol de milha em um Fusca dos anos 60.

Marca ROSSI insculpida no suporte.
 
A partir do modelo 71, o Fusca passou a contar com pára-choque de lâmina única, o que obrigou a modificação dos suportes dos faróis de milha/neblina. Aqui no Brasil, via de regra, era acrescida uma pequena chapa soldada ao suporte do pára-choque para fixar os faróis auxiliares.

 
Suporte da marca HELLA para Fuscas com para-choque de lâmina única.

Detalhe da chapa de fixação do farol auxiliar no suporte do pára-choque. Solução normalmente adotada para os Fuscas modelo 71 em diante.  

quarta-feira, 29 de março de 2017

ABARTH: UM ESCORPIÃO PEDE PASSAGEM!

Logomarca da ABARTH.

ABARTH é uma empresa italiana fundada em 1949 por Carlo Abarth, na cidade de Bologna, voltada à construção de carros esportivos e de competição, além da preparação de motores. Em 1952 mudou sua sede para Turim. Sempre esteve associada à Fiat, tanto que em 1971 foi por esta formalmente absorvida.


Escapamento de dupla saída em um Fusca oval.

Tem como logomarca um escorpião estililizado sobre um fundo amarelo e vermelho. O escorpião virou símbolo da empresa pelo fato de ser este o signo zodiacal de seu fundador, Carlo, que também era um exímio piloto de corridas.

Anúncio do escapamento com saída dupla para Fusca.

A despeito de sua histórica ligação com a Fiat, ABARTH fabricou nos anos de 50 e 60 escapamentos esportivos, cabeçotes e comandos, de alta performance, desenvolvidos, dentre outros veículos, para o Fusca. Abordaremos neste post o escapamento esportivo com ponteiras duplas destinado a melhorar a performance do besouro. 

Anúncio da ABARTH para o mercado alemão

O escapamento esportivo feito pela Abarth, além de dar um som mais robusto ao motor do Fusca, libera a potência e melhora a aceleração do besouro. É sabido que parte da potência útil do motor se perde, a fim de que os gases da combustão sejam expelidos. O escapamento esportivo facilita a saída desses gases, melhorando a performance do veículo e melhorando o consumo de combustível.

Escapamento Abarth com saída dupla.

O escapamento da ABARTH aumentava ligeiramente os raquíticos 25hp do motor 1100 do Fusca (utilizado até dezembro de 1953), que originalmente, possuía apenas uma única ponteira de saída dos gases (a ponteira dupla começou a ser usada apenas a partir do modelo 56). Podia ser instalado isoladamente ou em conjunto com alguma outra melhoria visando à performance do motor, tais como, a adição de carburação dupla da OKRASA ou mesmo de um compressor (supercharger), tais como JUDSON, MAG, PEPCO, SHORROCK, CROFTON, ITALMECCANICA, VISCOUNT, WELBA, etc.

Catálogo alemão dos anos de 1950 com o escapamento esportivo à mostra.

Os escapamentos ABARTH, feitos para o motor refrigerado a ar do Fusca, foram vendidos nos anos de 1950 e 1960 principalmente na Europa e nos EUA, conforme se observa nos diversos anúncios de época e antigos catálogos de acessórios.

Anúncio de época do escapamento ABARTH da americana Fischer, especializada em acessórios de carros europeus.
 

Anúncio dos escapes ABARTH na Alemanha.

À inovação, segue a imitação. O pioneirismo e o sucesso do produto da ABARTH fez com que outras empresas copiassem o escapamento com saída dupla. Assim fez a ATLANS e a ERNST, da Alemanha e a EMPI, dos EUA. A ATLANS chegou, inclusive, a utilizar um escudo muito semelhante ao Escorpião da ABARTH. Se o consumidor da época não ficasse atento, podia levar gato por lebre.  
  
Escapamento duplo para motor 1200 de Fusca, da "Atlans": uma imitação do Abarth.
 
Escapamento com saída dupla da empresa alemã ERNST.

Catálogo da EMPI de 1958.
 
O nome ABARTH virou sinônimo desse tipo de escapamento. Hoje fala-se em escapamento do "tipo" ou do "estilo" ABARTH, uma referência a qualquer escapamento feito com padrões semelhantes ao produto de origem italiana que tanto fez sucesso no passado. 


sexta-feira, 10 de março de 2017

SÉRIE LOVE: 25 ANOS AMANDO O FUSCA


Série Love: designação popular dada ao Fusca Série Especial lançado em 1984 para comemorar os 25 anos de produção do besouro no Brasil (1959-1984). Slogan da VW na época: “Fusca: 25 anos dando certo”. Possuía a carroceria pintada na cor azul copa metálico, além de acabamento exclusivo, tanto interna como externamente. Estima-se que tenham sido produzidas 2.500 unidades do modelo. Principais características: 1) Bancos dianteiros totalmente reclináveis; 2) Desembaçador do vidro traseiro acionado por meio de um botão localizado no painel; 3) Bancos em tecido trilobal cinza, com regulagem milimétrica do encosto; 4) Apoio de cabeça em tecido trilobal; 5) Revestimentos das portas e laterais traseiras em tecido trilobal cinza; 6) Assoalho em carpete; 7) Volante espumado; 8) Cobertura do painel em ABS; 9) Frisos nos revestimentos das portas; 10) Acendedor de cigarros; 11) Pára-choques na cor do veículo com protetor de borracha; 12) Adesivo “Eu Amo Fusca” nas laterais traseiras próximos aos pára-lamas e no vidro traseiro; 13) Frisos nos estribos; 14) Aros de roda de 14’ com pneus 5.90”x14”; 15) Tampa do bocal de combustível com chave; 16) Janelas laterais traseiras basculantes; 17) Cinto de 3 (três) pontas; 18) Ar quente; 19) Motor de 1600 cc, movido a álcool, com 65 cv e carburação dupla; 20) Freios a disco na dianteira; 21) Tampa do tanque de combustível com chave; 22) Manual do proprietário exclusivo com a inscrição “Fusca Especial” na capa; 23) Relógio de horas no painel; 23) exclusiva cor Azul Copa, metálica.



Características Técnicas Fusca 1.6 Série Especial:

Versão: Única, álcool
Motor: Motor de posição traseiras com 4 cilindros opostos 2 a 2 horizontalmente. Refrigerado a ar por ventoinha. Sistema Elétrica de 12V, com alternador de 35A. Bateria de 42 Ah e ignição eletrônica.
Cilindrada: 1,6 litro (1.584 cm3)
Potência Máxima: 57 CV a 4.200 rpm
Torque Máximo: 11,8 kgfm a 2.600 rpm
Taxa de Compressão: 11,0:1 Carburação dupla com sistema de preaquecimento da mistura. Afogador automático.
Partida: Sistema de partida a frio automatizado.
Velocidade Máxima: 137 km/h
Aceleração: 0 a 80 km/h em 10,1 s; 0 a 100 km/h em 16,0 s. Ponto ideal de troca de marcha num dirigir mais econômico: 2a. marcha a 20 km/h; 3a. marcha a 35 km/h e 4a. marcha a 50 km/h.
Transmissão: Tração traseira por meio de um agregado propulsor, composto de embreagem monodisco a seco, caixa de transmissão de 4 marchas sincronizada com sistema "life-time", diferencial e semi-árvores oscilantes.
Suspensão: Suspensão dianteira independente, articulada, 2 barras de torção transversais (feixes) amortecedores telescópicos de dupla ação e estabilizador. Suspensão traseira independente do tipo oscilante com braços longitudinais, 2 barras de torção transversais (cilíndricas), amortecedores telescópicos de dupla ação e barra compensadora.
Direção: Sistema de direção à base de roletes no eixo do setor, com amortecedor hidráulico e coluna de segurança. 
Freios: Acionados hidraulicamente nas 4 rodas com circuito duplo em paralelo. Dianteiro a disco, traseiro a tambor. Freio de estacionamento mecânico com ação sobre as rodas traseiras.
Rodas e Pneus: Rodas estampadas em aço, com disco perfurado; aro 1 1/2 J x 14H. Pneus: 5,60 x 14.
Dimensões (mm): Comprimento 4.050; largura 1.540; altura 1.500; distância entre eixos 2.400; bitola dianteira 1.316; bitola traseira: 1.355;. altura livre do solo com carga máxima 152
Pesos (kg): Peso líquido: 800. Carga Útil: 380.
Abastecimento: Tanque de Combustível: 41 litros.
Capacidade Volumétrica (litros): Porta-malas dianteiro: 124. Porta-malas traseiro: 93 (até parte inferior do vidro traseiro) e 153 (até o teto). Encosto reclinado: 291 (até a parte inferior do vidro traseiro) e 633 (até o teto).


Outras novidades para a linha 1984, porém, comuns a  todos os modelos: novo motor 1.6 a álcool ou gasolina (tork a partir de janeiro de 1984), freio a disco nas rodas dianteiras e novo freio traseiro, cinto de segurança de três pontos, ignição eletrônica que melhorava a eficiência do motor, nova tampa do motor aletada.



Na época, para celebrar a ocasião, a VW do Brasil promoveu o "Grande Concurso Fusca 25 Anos", premiando com 2 (dois) Fuscas e 20 livros de arte as dez melhores histórias sobre o tema "Eu e o Fusca". Os prêmios consistiam em um Fusca 84 1.6, Série Especial (Série Love) para o primeiro colocado e um Fusca 84, 1.6, série normal, para o segundo colocado e os Livros de arte "A Cor na Arte Brasileira" e "Mestres do Desenho Brasileiro", para os dez primeiros colocados. Os concorrentes deveriam utilizar um formulário próprio disponível nas concessionárias ou 20 linhas datilografadas em papel ofício. A apresentação dos trabalhos foi de fevereiro a julho de 1984.

Uma comissão julgadora composta pelo Sr. Paulo J. Dutra de Castro, Diretor Adjunto de Relações Públicas da VW do Brasil, Sr. Cláudio Carsughi, Editor Técnico da Revista Quatro Rodas e pelo Sr. Emerich, Vice-Presidente da Alcântara Machado Comunicações Ltda. ficou encarregada de selecionador as melhores histórias.

A VW, ao divulgar o certame, incentivava a participação do público: "Há histórias de emoção. Há momentos heroicos. Há cenas de ternura. Há casos em que o Fusca só faltou falar. Há quem considere o Fusca uma pessoa da família. Há cenas engraçadíssimas. Há passagens românticas. Há quem nasceu dentro do Fusca. Há quem não troca o Fusca por nada neste mundo. Há quem lembre do primeiro desenho que fez: um Fusca. Há quem sempre conte a história do seu primeiro Fusca. E há a sua história".

Participaram do concurso mais de 4.000 (quatro mil) pessoas que escreveram contando as mais diversas histórias vividas com o Fusca. Em outubro de 1984 foram divulgados como vencedores do concurso os senhores Luiz Colet Lacerda, de São Paulo (SP) em primeiro lugar e José Alberto Mascarenhas Rocha, de Brasília (DF), em segundo lugar. O primeiro ganhou um Fusca Série Love. O segundo, um Fusca 1984 normal. Os demais vencedores (do 3º ao 10º lugar) ganharam os livros de arte citados.

terça-feira, 7 de março de 2017

TARTARUGA DE KOMBI


Não! Aviso logo que não se trata de um acessório para deixar a Kombi mais vagarosa ou, ainda, para troçar com sua natural lerdeza.
 

Bojo do farol da Kombi visto da cabine.

O acessório que hoje apresentamos é conhecido como Tartaruga pela simples razão de seu formato lembrar a couraça que salvaguarda esse animal. Tem como como função proteger o bojo do farol que, na Kombi Corujinha, fica projetado para o interior da cabine, suscetível, portanto, a danos.
 
Repare no desgate no bojo do farol ocasionado por anos de uso contínuo.


Tartaruga instalada na Kombi.

O bojo original da Kombi Corujinha era pintado na cor da carroceria. Por ficar muito próximo aos pés dos ocupantes, via de regra a pintura nesse local ficava desgastada pelo constante roçar dos pés no local. Além disso, algumas pessoas tinham o péssimo hábito de utilizar o bojo como apoio para descanso dos pés, principalmente no lado do carona.

O protetor era emborrachado.

Para proteger a pintura do compartimento interno do farol, a indústria de acessórios criou a Tartaruga. Tal como na natureza, a couraça protege o quelônio, a Tartaruga automotiva protege o bojo do farol da velha senhora.  

Tartaruga.

O protetor do bojo do farol era feito com uma borracha grossa e era simplesmente encaixado no local. Para sua instalação, contudo, era necessário primeiro retirar a forração de eucatex que cobre a parte inferior da cabine (popularmente conhecida como "óculos"). Encaixada a Tartaruga, a forração é recolocada. Como o protetor possui abas laterais que avançam no formato do bojo, a recolocação da forração original confere um perfeito acabamento ao local.

Acessório tipicamente brasileiro, era vendido nas boas casas do ramo nos anos 60 e 70. Foi fabricado por uma empresa chamada VISANI.
 

Detalhe da etiqueta da loja de acessórios onde foi vendido: Comercial Takauto, de São Paulo (SP). Observe também o nome do acessório na tarjeta: "Tartaruga Kombi".

Fabricado por empresa brasileira de nome VISANI.

segunda-feira, 6 de março de 2017

RÁDIO TELEFUNKEN IA-51V

Rádio Telefunken modelo IA-51V.

Rádios para os Fuscas split (1950-1952) sempre merecem um tópico à parte. São raros e caros. Via de regra, rádios desse período são vendidos entre EUR 1.500 a EUR 3.000, o que convertido para o nosso combalido real, representa uma pequena fortuna. Os poucos sobreviventes e a avidez dos colecionadores tendem fazer o preço subir ao longos dos próximos anos.
 
Para ser usado no Fusca split (1950-1952).

Os rádios Telefunken são bastante desejados, também porque também podiam ser instalados no painel dos Porches Pré-A, além de serem oferecidos nas concessionárias oficiais da VW na Alemanha.

Rádio exigia uma caixa amplificadora.

Valvulados, 6 (seis) volts, de porte avantajado, vinham com a frente em baquelite na cor e com o perfil correto para combinar e se encaixar no painel do besouro dessa época.

Vista lateral do rádio com a perpectiva do alto-falante na parte superior.

Os rádios Telefunken eram, normalmente, renovados a cada ano, sempre com alguma novidade. O ano de fabricação do rádio era agregado ao nome do modelo. Assim, o modelo IA-50 foi fabricado em 1950; o modelo IA-51V, objeto deste post, em 1951, o modelo ID-52V em 1952, e assim por diante.

Dial do rádio.
 
O rádios Telefunken desse período vinham com uma caixa de força adicional, conectada ao rádio, uma vez que todos os componentes não cabiam no rádio normal (lembremos que as válvulas eram grandes e tomavam muito espaço). A sugestão era que esse caixa fosse instalada atrás do berço do estepe do Fusca.

 
A caixa adicional era, normalmente, instalada atrás do berço do estepe do Fusca.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

BAGAGITO


Chiqueirinho é a designação popular dada ao compartimento de bagagens do Fusca localizado atrás do banco traseiro. Chiqueiro é o local onde se criam porcos. Chiqueirinho, contudo, é uma referência a uma área cercada com grades de segurança, e que contém brinquedos para distração das crianças. Dada à semelhança do compartimento de bagagens traseiro do Fusca com o chiqueirinho infantil, o apelido pegou. Em verdade, o chiqueirinho do Fusca é o local preferido das crianças. Qual guri não gosta de ficar ali atrás?

Catálogo de acessórios da década de 1950: chapéu repousando no bagagito de um Fusca Split.

Todavia, para tristeza dos bambinos, era bastante comum a instalação no local de uma tampa, conhecido como bagagito ou tampão traseiro. Tinha por finalidade facilitar aos passageiros do banco de trás o acesso fácil a pequenos objetos, tais como chapéus, guarda-chuvas, bolsas, etc, guardados sobre o tampão, evitando maiores contorcionismos para guardar e retirar esses pertences do fundo do compartimento.


Anúncio de março de 1959.

Para permitir melhor aproveitamento desse valioso espaço, era comum na Alemanha e EUA a fabricação do bagagito com uma sobre-tampa articulável, de modo que fosse possível guardar e retirar objetos do compartimento sem precisar mover todo o bagagito. Uma das empresas alemãs que fabricou o acessório foi a KAMEI. 

Bagagito com sobre-tampa articulável e botão.

Bagagito com sobre-tampa.

O uso do bagagito favorecia a discrição, uma vez que os objetos ali guardados não chamassem tanto a atenção, principalmente dos  olhares mais ávidos das coisas alheias. Ademais, o bagagito funcionava também como um anti-ruído, pois ajudava a reduzir o barulho do motor no interior da cabine.

 Bagagitos com tampa e alto-falantes.

A partir dos anos de 1960, com a popularização dos auto-rádios, o bagagito prestou-se, também, para a instalação de alto-falantes, melhorando a propagação do som no interior do Fusca. Normalmente, instalava-se um ou dois alto-falantes no tampão traseiro. A partir da década de 1970, além dos alto-falantes, era obrigatório a colocação de "tweeters" para complementar o sistema de som.

Anúncio de dezembro de 1968.

O bagagito era simplesmente encaixado no compartimento do porta-malas, não sendo necessário qualquer parafuso ou outro sistema de fixação. Feito com estrutura de madeira, era coberto com courvin ou outro tipo de tecido, normalmente seguindo o mesmo padrão da forração dos bancos.

Linha de produtos da PROCAR para 1970: dentre eles, o tampão do chiqueirinho.

O acessório podia ser feito artesanalmente por qualquer tapeceiro ou estofador. Todavia, alguns empresas nacionais fabricaram o bagagito, citando-se a SAREL, PROCAR, WEGA, CAPAS COPACABANA e MARPLEX, que podiam ser encontrados em qualquer boa loja de acessórios automotivos.

WEGA foi uma das fabricantes brasileiras do bagagito.

Bagagito em vermelho no mesmo padrão da forração dos bancos.

Tampão seguindo o mesmo padrão dos bancos era a regra.

Fusca 1500 com tampão e alto-falantes instalados.

Fusca da década de 1980 com alto-falantes acoplados no bagagito.

Outra utilidade do tampão: exibir a coleção de escudos, mania alemã nos anos 50 e 60.

Anúncio de julho de 1985.

No final da década de 1970, tornou-se comum a instalação do bagagito com leve inclinação, de modo que o tampão ficasse entre a base do vigia e o banco traseiro. Dava um visual mais agressivo pelo fato de deixar mais à vista os "modernos" alto-falantes e tweeters, normalmente da marca NOVIK, ARLEN, SELENIUM, TRUFFI e MECCA.

Fusca 1979 com tampão inclinado.

Os alto-falantes podiam ser embutidos ou instalados sobre o tampão. Acima, caixas de alto-falantes da marca MECCA.

Anúncio de dezembro de 1965.

Já a empresa nacional C.F. DEL NERO S/A, de São Paulo (SP) disponibilizou para ser instalado no chiqueirinho do Fusca uma geladeira e uma estufa, cujas tampas eram cobertas com napa, que, segundo o anúncio de época eram de "cores atuais, que combinam perfeitamente com o estofamento do carro". As tampas da estufa e da geladeira, quando fechadas, formavam o bagagito.