Fusca

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terça-feira, 13 de novembro de 2018

ESPELHO RETROVISOR INTERNO - 1958/59 VERSUS 1960

Espelho retrovisor interno do período 1958/1959.

Com o lançamento do modelo 1958, ocorrido em 1º de agosto de 1957, o Fusca foi presenteado com um novo espelho retrovisor interno. Esse espelho ficou ligeiramente maior em relação ao Fusca oval e ganhou uma nova base, com um vinco em formato de cruz bem pronunciado. O quebra-sol continuou sendo fabricado de acrílico.

Fusca 1959 primeira série com o espelho correto.

Esse tipo de retrovisor (base vincada) foi utilizado até julho de 1959. Com o lançamento do modelo 1960, em agosto de 1959, a base espelho perdeu o vinco e ficou mais lisa. O quebra-sol, por sua vez,  também foi modificado e passou a ser do tipo acolchoado.

Fusca 1960: a base do espelho perdeu os vincos.

Esse modelo de espelho interno foi utilizado até final de 1969, quando foi substituído pelo espelho com base plástica. Observar esse pequeno detalhe é importante numa restauração, principalmente de um Fusca 1959 primeira série, que, normalmente, já teve o espelho original substituído ao longo de sua vida.

Diferença da base do espelho retrovisor interno (1958/59 x 1960).

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

BANCO RECLINÁVEL - HÜLS

Hüls: marca alemã de sistema de reclinamento de bancos.

A empresa Fa. Adolf Hüls, localizada na cidade de Kamen, estado de Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha, fabricou um acessório com vistas a maximizar o sistema de reclinação original dos bancos dianteiros do Fusca.

Acessório permitia reclinamento total dos bancos.

Mediante o uso de uma catraca, o equipamento permitia diversos ajustes no banco do Volkswagen, inclusive o reclinamento total do encosto, transformando-o em uma verdadeira cama. Muito apropriado para quem precisasse dormir  ou simplesmente descansar no interior do veículo, principalmente em viagens mais cansativas.

Com sistema de catraca, possibilitava inúmeras posições.

O acessório feito pela Hüls podia ser instalado nos próprios revendedores autorizados VW da Alemanha, EUA e outros países, constando em catálogos de época; era, portanto, um acessório oficial.

Sistema Hüls em um banco de Fusca.

Ficou disponível durante décadas nos postos oficiais da Volkswagen, tento equipado Fuscas da década de 1950, 1960 e 1970, além de Notchbacks e Squarebacks (Tipos 3).

Etiqueta da VW: acessório oficial.

Trata-se de um acessório bastante cobiçado e raro nos dias atuais; um par, em bom estado, custará atualmente um bom dinheiro ao interessado.

Além do conforto, embelezava os bancos do Fusca.

Detalhe do reclinador da Hüls.

Instalado em um Tipo 3.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

EVOLUÇÃO DO DESCANÇA-BRAÇO

Porta esquerda SEM descança-braço (1950-1977).

O descança-braço, também chamado de apoio de braço, ou ainda, de puxador da porta, era um equipamento fixado na forração interna da porta do Fusca, que tinha dupla função: a) como o próprio nome sugere - permitir o repouso do antebraço no local, visando propiciar maior conforto ao ocupante do veículo; e b) facilitar a abertura e fechamento da porta em complemento ao uso da maçaneta interna.

Importante frisar que até 1977 o Fusca saia de fábrica sem o descança-braço no lado esquerdo; era, até então, uma exclusividade da porta direita do besouro. 

Como os leitores do blog já sabem, quando abordamos o tema "evolução", levamos em consideração sempre as modificações ocorridas entre 1950 a 1959 (Fusca alemão) e de 1959 a 1996 (Fusca nacional). 

1950-1952.

De 1950 até 1º de outubro de 1952, o descança-braço da porta direita do Fusca era instalado levemente inclinado,  com uma cavidade interna que servia de "pega" para puxar a porta.

Estrutura metálica do descança-braço de 1950-1952.

Esse descança-braço possuía uma estrutura metálica interna, composta de duas partes, recoberta com o mesmo tecido da forração da porta, sendo que, na junção das chapas, um debrum (galão) fazia o acabamento na costura.

1952-1955.

A partir de  até 1º de outubro de 1952, com o lançamento do Zwitter, o descança-braço da porta direita do Fusca continuou levemente inclinado, porém, perdeu a cava que facilitava o fechamento da porta, passando a ser maciço. 

Estrutura metálica do descança-braço de 1952-1955.

O descança-braço desse período também possuía uma estrutura metálica interna, composta de duas partes, recoberta com o mesmo tecido da forração da porta, sendo que, na junção das chapas, um debrum (galão) fazia o acabamento na costura. Esse modelo foi utilizado até agosto de 1955.

1956-1959.

Com o lançamento do modelo 1956, ocorrido em agosto de 1955, o descança-braço passou a se posicionar horizontalmente e, apesar de continuar maciço, importantes modificações foram introduzidas naquele ano.

1956-1959.

A base inferior continuou metálica, porém pintada em preto; a parte superior passou a ser preenchida com um material espumado, revestido com o mesmo courvin utilizado nas extremidades da forração de porta. Além disso, a VW adicionou um friso de alumínio no centro do apoio de braço, propiciando um acabamento mais refinado. Esse modelo de descança-braço foi utilizado até julho de 1959.

1959-1961.

A partir do lançamento do Fusca modelo 1960, ocorrido em agosto de 1959, o apoio de braço deixou de ser maciço e ganhou, novamente, a cava para facilitar o manuseio da porta direita. Com a alma em material espumado, era revestido em plástico gomado e continuou com o friso central. Esse modelo perdurou até março de 1961.


1961-1962.

A partir de abril de 1961, o descança-braço voltou a ser maciço, semelhante ao modelo utilizado entre 1956 a 1959, com a diferença de que a base metálica era pintada em cor clara e a espuma superior revestida em courvin.

1963-1972.

Com o lançamento do modelo 1963, ocorrido em dezembro de 1962, o Fusca voltou a ter o apoio de braço vazado, semelhante ao formato de um telefone, com friso central. Esse modelo perdurou até 1972. 

O descança-braço original tinha o logo VW gravado na peça.

1973-1975.

O modelo 1973 trouxe inovação quanto ao apoio de braço. Redesenhado, perdeu o friso e ficou mais robusto.

1976-1982.

A partir do modelo 1976 o Fusca estreia novo apoio de braço: ligeiramente mais comprido, passou a ser recoberto com material plástico.

1977: descança-braço em ambas as portas.

Em 1977, a novidade foi a adição de um apoio de braço também na porta esquerda, no lado do motorista. 

1983-1986.

No modelo 1983, o apoio de braço foi novamente redesenhado, além de novo formato e nova forma de fixação, passou a ser feito totalmente de plástico. De 1983 a 1986, na cor preta; de 1993-1996, cor cinza.


1993-1996.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

QUEM AMA O FEIO BONITO LHE PARECE


VW Country Buggy: utilitário feito na Austrália.

O Country Buggy   foi um veículo produzido pela VW da Austrália (VW Australasia) entre  1967 e 1968, com carroceria de aço e motor refrigerado a ar, internamente denominado Tipo 197. Apesar de o nome “Buggy” remeter, aqui no Brasil, a um veículo destinado ao lazer, o Country Buggy foi concebido para ser também um automóvel de trabalho, visando, principalmente, fazer frente às difíceis estradas australianas, comuns no interior do país na época. Havia inclusive a expectativa de o veículo ser vendido ao exército australiano, frustrada pelo fato daquela força militar não ter gostado do resultado final.

Trabalho e lazer: a vocação do veículo.

Com marcantes linhas retas, foram fabricados apenas 1956 jipinhos durante o curto período em que foi produzido. Trata-se de um projeto exclusivo da VW australiana, desenvolvido sob o comando do então diretor Rudi Herzmer e do engenheiro Cyril Harcourt. 

Espaço de sobra na parte de trás.

Os primeiros protótipos remontam ao no de 1965. Aliás, foi o único veículo projetado e construído pela VW da Austrália. A ideia inicial era projetar um veículo anfíbio, porém, essa possibilidade foi vetada pela matriz na Alemanha. As primeiras unidades saíram da linha de produção no final de dezembro de 1967, porém, disponível ao grande público apenas a partir de abril de 1968. Ficou em produção por somente 8 meses; a pouca aceitação do público e problemas administrativos na VW da Austrália, fizeram com que o automóvel fosse descontinuado ainda no final daquele ano. Na época já estava em andamento na VW da Alemanha os projetos para a fabricação de veículo semelhante: o icônico VW 181 ou Thing, lançado no mercado no ano seguinte.

Simplicidade absoluta nas formas.

Na sua construção foram utilizadas várias peças do Fusca, Kombi e Tipo 3.  Do Fusca vieram o chassi, assoalho, caixas de ar (sem sistema de ar quente), chapéu de napoleão, o motor refrigerado a ar de 1300 cc do Fusca (entre os opcionais disponíveis figurava também o motor 1200) equipado com carburador 30-PICT e 50 cv de potência, suspensão dianteira, embreagem de 200mm, caixa de transmissão, alavanca de câmbio, tanque de combustível com capacidade de 40 litros e torneirinha reserva, velocímetro, volante do Fusca Standard alemão, lentes e aros do farol olho de boi, barras de torção da suspensão traseira, botão de abertura e fechamento da tampa dianteira e traseira. 

Tanque de combustível do Fusca.

A Kombi cedeu o filtro de ar, tubo da carroceria para abrigar a suspensão traseira, caixas de redução das rodas traseiras, sistema de freios, rodas de aro 15’ e 5 furos e respectivas calotas. Do Tipo 3, aproveitou-se o limpador de para-brisa, a caixa de direção e outros componentes do sistema de direção. 

Anúncio de época do revendedor VW da Austrália: veículo confiável pra todo tipo de situação.

Era equipado com uma capota de lona e quadro do para-brisa basculante. O sistema elétrico era de 6 volts ainda. As ponteiras duplas de escapamento saíam por dentro da carroceria, acima da linha do para-choque traseiro. Essa disposição da saída do escape inibia a entrada de lama ou água. 

Painel: apenas o básico.

O painel era extremamente espartano: apenas velocímetro, ignição e botões para acionar os faróis e o limpador de para-brisa. Nem marcador de combustível tinha, razão pela qual o Country Buggy era equipado com uma torneirinha para acionar a reserva, idêntica à utilizada pelo Fusca até o primeiro trimestre de 1961. O motor do limpador de para-brisa ficava aparente, fixado no quadro do para-brisa. O acionamento da luz alta e baixa dos faróis era feita por um interruptor localizado próximo aos pedais, semelhante ao utilizado pelo Fusca até 1966. As lanternas traseiras eram exclusivas, feitas pela Hella. Tinha altura do solo de 230 mm e ângulo de ataque de 51 graus na frente e de 32 graus na traseira.

As lanternas eram exclusivas do modelo feitas pela Hella. Ponteiras do escapamento perpassavam a carroceria sobre o pára-choque.


Nascido e criado na nação dos cangurus.

Dos 1956 veículos fabricados pela VW australiana, 887 foram vendidos na própria Austrália, 247 referem-se a kits do tipo CKD exportados para Nova Zelândia, Nova Guiné e Malásia, e o restante, num total de 822 veículos, exportados para as Filipinas em sistema de CKD, com direção do lado esquerdo. 

Nas Filipinas recebeu o nome de Sakbayan.

Mesmo depois do encerramento da produção do Country Buggy, uma cópia do veículo foi produzida naquele país pela empresa DMG até meados de 1980, porém sob o nome de “Sakbayan”. Sakbayan é a contração do termo filipino “sasakyan ng bayan” que significa “automóvel do povo”, uma alusão na língua local ao próprio significado de “Volkswagen”. 

Anúncio da DMG filipina sobre as qualidades do veículo.

Nos primeiros anos de produção do Sakbayan, foi utilizado componentes fornecidos pela VW da Alemanha, tais como chassi e motor do VW 181, o que implicou alterações na carroceria. A partir de 1974, o veículo foi produzido com componentes comprados junto à VW do Brasil, tais como chassi de Fusca (depois substituído pelo chassi de Brasília), motor, volante, velocímetro, etc.  

Só mesmo a VW pra brincar assim: "Se você acha que o Fusca é feio, dê uma olhada nesse carro: O mais feio Volkswagen feito para os piores trabalhos".

Foi concebido originalmente como veículo de apenas dois lugares; o generoso espaço na parte de trás ficou destinada para carga (aproximadamente 1,2 m² de área). Todavia, a partir de junho de 1968 um banco traseiro passou a ser oferecido como acessório. Falando em acessórios, além da opção do motor de 1200 cc, estavam disponíveis também um teto rígido, cortinas laterais, pneus para uso na neve, para-sol, espelho retrovisor externo, protetor do cárter do motor, engate de reboque e tomada de força.

Motor refrigerado a ar do Fusca e filtro da Kombi.

A esmagadora maioria do veículos foram pintados na cor Savannah Beige, porém, existem alguns poucos pintados na cor Paprika Red e outros tantos na cor verde do Exército.

Vídeo de lançamento do CB em 1968.

Linhas retas: característica marcante.

Miniatura do CB na escala 1:43.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

RÁDIO YAMAGUSHI

Rádio Yamgushi instalado em um Fusca 1968.

Extinta empresa paulistana fabricante de rádios automotivos.

Rádio Yamagushi em ação! 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

VW ILTIS

VW Iltis (Tipo 183).

O VW Iltis foi um veículo militar utilizado pelas forças militares da Alemanha, Canadá e Bélgica, com tração nas 4 (quatro) rodas, feito pela VW alemã entre 1978 e 1982. Internamente identificado como Tipo 183, o “jipe” foi inspirado no Munga (feito pela DKW nos anos de 1960), porém, com componentes mecânicos do Audi 100 e equipado com motor refrigerado a água de 1,7 litros, gerando 55 cv de potência. 


VW Iltis: vocação militar.

O Iltis foi o Jeg que deu certo. Lembremos que a VW nacional tentou vender para o exército brasileiro um veículo semelhante, com motor refrigerado a ar, fabricado sobre o "chassi" encurtado da Kombi, denominado de VEMP (Veículo Militar Protótipo), mas que, infelizmente, foi rejeitado pelos militares à época pelo fato de ter motor traseiro e falta de tração nas 4 (quatro) rodas. Posteriormente, esse projeto foi encampado pela empresa Dacunha que lançou no mercado o pequeno e simpático Jeg, fabricado entre 1977 e 1981, com cerca de 600 unidades produzidas. Interessante que ambos os veículos - aqui e lá - receberam  nomes de animais. "Jeg" é uma clara referência ao asno, popularmente chamado de jegue, jumento ou burro. Iltis, em alemão, significa doninha ou tourão.

Motor refrigerado a água gera 55 cavalos de potência.

A produção do Iltis  começou no verão de 1978 e as primeiras 200 unidades foram entregues em novembro daquele ano. Muito embora produzido simultaneamente com o Tipo 181, o Iltis acabou substituindo o VW Thing. Um pequeno número foi oferecido para uso civil, mas, devido ao alto preço, teve pouca aceitação no mercado.

Criador e criatura: o sistema de tração do Iltis acabou sendo usado no Audi Quattro.

Além do modelo convencional, o Iltis foi adaptado para ser utilizado como ambulância, unidade de comunicação e comando, antitanque e artilharia. O sistema de tração do Iltis acabou se mostrando tão eficiente que acabou sendo utilizado posteriormente pelo Audi Quattro. 

Interior do VW Iltis: espartano como todo veículo militar.

O veículo foi também produzido no Canadá pela empresa Bombardier (sob licença), que destinou 2.500 unidades para para as forças militares daquele país e 2.673 unidades para o exército belga. 

Dimensões do VW Iltis.

VW Iltis utilizado no Rally Paris Dakar em 1980. Vencedor absoluto naquele ano.

Em 1980, um Iltis devidamente preparado venceu o Rally Paris-Dakar, pilotado por Freddy Kottulinsky e Gerd Löffelmann. Um feito e tanto para um veículo essencialmente militar e com pouco tempo de vida.

Um pequeno vídeo com as imagens do VW Iltis no Rally Paris-Dakar de 1980.