Fusca

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domingo, 13 de março de 2011

BANANINHA


Fusca com bananinha acionada.

O conjunto eletromecânico utilizado como indicador de direção do Fusca ficou conhecido aqui no Brasil como "bananinha". Foi utilizado nos Fuscas até o primeiro trimestre de 1961 e era instalado na coluna lateral do besouro.


Bananinha em descanso.


No Hebmüller a bananinha era montada entre a porta e o pára-lama dianteiro.


Bananinha acionada em um Hebmüller.

Nos Hebmüller e nos Fuscas conversíveis a bananinha era  em posição distinta no besouro de Luxo ou Standard: no Hebmüller à frente da porta na lateral baixa dianteira e, nos cabriolet, na parte anterior da porta, no painel lateral traseiro.


Posição da bananinha num Fusca cabriolet.


Bananinha num Fusca conversível ou cabriolet.

Esse tipo de sinalizador, contudo, não foi uma exclusividade do Fusca. Na década de 1940 e 1950 era comum vê-lo equipado em outros automóveis, principalmente de origem européia, tais como Tempo Matador, Opel-Olympia, Mercedes-Benz, etc.. 


Bananinha instalada num Tempo Matador.

A bananinha, nos Fuscas Split (1950-1952), era acionada por um botão localizado no meio da parte superior do painel.


Botão de acionamento da bananinha num Fusca Split.

A partir de outubro de 1952 - com o lançamento do Zwitter e a modificação ocorrida no painel - veja evolução do painel no link: http://opasgarage.blogspot.com/2010/08/evolucao-do-painel.html - a bananinha passou a ser acionada por uma chave de seta localizada na coluna de direção do Fusca.

Zwitter com chave de seta para acionar o mecanismo de direção.

A haste da bananinha, quando acionada, ergue-se à direita ou à esquerda e acende uma luz (lâmpada tipo torpedo, de 6 volts). A luz da bananinha não pisca quando levantada, apenas fica acesa.

Luz da bananinha: ela não pisca, apenas acende quando acionada.

A partir de agosto de 1959, com a introdução do volante cálice, a chave de seta foi modificada, porém, com a mesma função de acionar a bananinha. 


Fusca 1960 com nova chave de seta para acionar a bananinha.

Importante frisar que a evolução até aqui exposta não se aplica aos Fuscas exportados aos Estados Unidos da América (EUA). Lá, a coisa andou diferente. A partir de maio de 1955, em face da mudança da legislação naquele país, os Fuscas para lá destinados não puderam mais utilizar a bananinha. A VW introduziu, exclusivamente para o mercado americano, o que chamamos de tetinhas (parecidas com as instaladas nas Kombi) instaladas nos pára-lamas dos Fuscas Luxo e conversível. Essas tetinhas tinham a lente de acrílico, com a base pintada na cor do veículo; eram feitas pela Hella e, finalmente, passaram a piscar quando acionadas graças à adição de um relé ao sistema elétrico do besouro.


Tetinhas instaladas no Fusca americano.

Em agosto de 1957, somente para os Fuscas destinados aos EUA, os piscas mudaram novamente de posição: desta feita para cima dos pára-lamas. As lentes eram de acrílico e a base era cromada. Repito, tais modificações ocorreram tão-somente no mercado americano, pois os Fuscas europeus mantiveram a bananinha até o fim do ano de 1960 e aqui no Brasil as bananinhas foram até meados de 1961.


Fusca 1957 com pisca sobre os para-lamas: exclusividade americana.

As primeiras lentes das bananinhas tinham a tonalidade laranja escuro. Em setembro de 1957 a cor das lentes foi modificada para um amarelo claro. Todavia, há controvérsia em relação à época em que houve essa mudança na tonalidade da lente. Há informações de que essa mudança teria ocorrido anteriormente, já a partir do modelo 1956, lançado em agosto de 1955.


Cor das lentes variou de acordo com a época de fabricação.

De 1950 a 1953 as bananinhas eram vincadas (tanto a parte externa quanto as lentes). A chapinha externa possuía rebites e parafusos aparentes que fixavam o mecanismo interno.


Bananinha vincada.

Lente vincada da bananinha: utilizada até 1953.

A partir de 1954 as bananinhas passaram a ser lisas, tanto as lentes quanto a chapinha externa. 

Bananinha lisa: a partir de 1954.

Lentes também se tornaram lisas a partir de 1954.

As bananinhas foram fabricadas na Alemanha pelas empresas SWF e Stribel (HS) - conhecida popularmente como SHO -, fornecedoras oficiais da VW e, aqui no Brasil, pelas empresas PREMA (ME) e AW. O nome desses fabricantes eram insculpidos na base metálica da bananinha. Quando vendidas para o mercado de reposição não tinham o logo VW.

Bananinhas fabricadas pela alemã SWF.

Mecanismos da marca Stribel (SHO). Feitas na Alemanha.

Marca PREMA (ME), made in Brazil.

Marca AW, bananinha feita por empresa brasileira.

As bananinhas originais tinham o logo VW tanto na base metálica quanto nas lentes.

Um detalhe importante para quem está restaurando um Fusca com bananinha é observar a lingueta embaixo do compartimento da bananinha na carroceria. Essa lingueta é continuidade da base inferior e fica aparente no veículo, mesmo depois de pintado. Já vi vários Fuscas sem essa lingueta, que acabou sendo retirada, equivocadamente, pelo funileiro. Fusca com  bananinha deve ter essa lingueta. 

Lingueta metálica no compartimento inferior da bananinha.

 
Lingueta: deve estar presente numa restauração padrão.


Rara visão da parte interna do compartimento da bananinha.

A C E S S Ó R I O S

Era notória a fragilidade das bananinhas. Era habitual ela não subir; quando subia, não descia. Além disso, era comum (e ainda é! o brasileiro precisa "ver" com as mãos) curiosos quererem puxar manualmente a bananinha. Isso não pode ser feito, pois estraga o mecanismo.

A bananinha às vezes irritava o motorista.

Diante desse quadro nada animador, tornou-se inevitável, nos anos 50 e 60, sua troca por um conjunto novo que substituía toda a bananinha, e, instalado junto com um relé, tinha a vantagem de piscar, melhorando a sinalização quanto à mudança de direção do veículo. Aqui no Brasil esse acessório ficou conhecido como "orelha de padre".

Orelha de padre instalado em um Fusca.

Outro modelo da orelha de padre.

Diversos foram os fabricantes das orelhas de Padre e, portanto, diversos foram os modelos disponíveis. Na Alemanha, o acessório foi fabricado pela ENGELMANN, HELLA, JOKON; na Áustria pela empresa SAW; na Dinamarca, pela ERMAX; no Brasil pela IMPA.


Orelha de padre da Engelmann.

SAW, Austríaca.

Orelhas de padre feitas pela alemã Jokon.

 
Folder do acessório da alemã Jokon.
Porém, o mais belo desses conjuntos de lanternas é aquele que chamamos de "lustrinho" pelo fato de ser muito parecido com um lustre de parede doméstico. Aqui no Brasil, ele foi fabricado pela IMPA S/A Indústria Metalúrgica.

Lustrinho instalado no Fusca.

Embalagem original do lustrinho feito pela brasileira IMPA.

O lustrinho em uma Kombi.

Anúncio da IMPA de janeiro de 1966.

Na Dinamarca o lustrinho foi feito pela ERMAX.

Outra opção da época para substituir o aparato da bananinha, era fechar o buraco com uma tampa (sem solda) e colocar os piscas-piscas sobre o para-lama. A Jokon, alemã, fornecia esse kit completo.

Kit da Jokon para substituir as bananinhas. 

O conjunto incluía piscas para serem instalados sobre os para-lamas, além de uma tampa metálica para cobrir a coluna onde a bananinha era instalada.

Anúncio da Jokon de outubro de 1962.

Também se fabricaram bananinhas flexíveis, visando evitar danos na eventualidade de algum abalroamento leve. A empresa dinamarquesa BASTA fez essas bananinhas dobráveis. Se fosse brasileira, seria um bom nome para o produto. Basta de bananinhas quebradas!

Bananinha flexível.

Bananinhas dobráveis da marca BASTA.

Acessório bastante raro.

A mais radical das opções era tirar a bananinha e soldar a coluna com uma chapa, deslocando as lanternas sobre os para-lamas. Exigia funilaria e pintura. Muitos adotaram essa medida visando à modernização do besouro.

15 comentários:

  1. EXCELENTE POSTAGEM!

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  2. Parabens pela postagem, issso pode ajudar muito quem esta para comprar um, restaurar ou ate mesmo aprender mais sobre esta maravilha, sou louco com Fuscas, tenho 14 anos e estou a procura de um para comprar e eu mesmo restaura-lo ou entao deixar pelo menos a lataria como esta, porque algumas pátinas nao merecem ser retiradas kk, se alguem ai souber de um (de preferencia bem antigo hehe) me avisem por favor. Parabens também pelas outras postagens, ate mais :)

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  3. Adorei a matéria.... Até então nas literaturas que havia consultado, faltava esclarecer o detalhe maia básico: como as bananinhas funcionavam....que ela subia, descia e acendia eu sabia, mas ficava imaginando se era acionada mecanica ou eletricamente.... Agora sim, conheci de fato as famosas bananinhas... Parabéns!

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  4. Excelente !! Bem explicado e com detalhes raros. Voce poderia lançar um livro. Parabéns !!

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  5. Boa noite. Mas orelhas de padre. Tenho uma da marca Leão. Com duas cores, logo no vermelho as sinaleiras?

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  6. Gostaria de saber se todos os fusca 61 era com bananinhas?

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    1. Acho que vc. não leu o texto, o que recomendo. Somente os Fuscas fabricados no primeiro trimestre de 61, pertencentes à primeira série, possui bananinhas.

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  7. Opa, estou restaurando um fusca 61 chassis 56014, ao que tudo indica ele é da segunda série, sem bananinha. A pergunta é, como faço as ligações da lanterna traseira? Já li em algum lugar que seria luz de cidade fixa e pisca alterando com o freio, ou seja, ao se pisar no e acionar o pisca simultaneamente a luz de freio passava a piscar. Procede a informaçao? Desde já agradeço a atenção.

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  8. Comprei um par de bananinhas novas pelo Mercado Livre para restaurar meu 59 de uma conceituada empresa.So que elas nao vem com esquema eletrico. Ja consultei os vendedores , mas nao me ajudaram muito. Me recomendaram o Senhor para que me esclarecesse como ligar aqueles três bornes.Adianto que meu chicote esta em pessimo estado e ja haviam suprimido as bananinhas originais adotando o visual do 1300. e tb ja consultei profissionais eletricistas, mas nenhum deles sequer ja haviam visto tal equipamento.Peço seu auxilio, encarecidamente, Obrigado.

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  9. Velho to reformando meu fusca 67 e ao começar a lixar a coluna notei os buracos da bananinha de seta fui perguntar ao antigo dono e o mesmo disse que capotou com o carro e que comprou a carroceria de um fusca 1961 com vigia largo versão posterior a do oval porem os buracos estão tampado e vou reabrilos!

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  10. Bom dia!Como sempre uma ótima matéria sobre as bananinhas.
    Preciso tirar uma dúvida com vc, tenho um fusca 1950 e ele tem as lentes da bananinha vincadas com o logão da vws, porém a haste da bananinha é lisa e deveria ser vincada como vc explicou. Será que eu conseguir uma haste vincada consigo fazer a substituição pela lisa? Ou devo comprar um jogo completo?Coisa bm difícil e cara de se conseguir no brasil!!um abraço
    Fabiani/porto alegre /rs

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  11. Olá, boa noite, sim, é possivel trocar apenas a capa externa da bananinha, no caso, a lisa pela vincada, mantendo os demais componentes. Se vc. não tiver ninguém que faça esse trabalho, indico o Wesley Sebranel, especialista em bananinha. O fone dele é 16 98167-6767. Ótimo serviço, pessoa de confiança. Obrigado por prestigiar o blog.

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  12. Olá! Muito obrigada por me esclarecer esta dúvida e pela indicação do Wesley.
    Abraços.
    Atc.Fabiani

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  13. To comprando um fusca 60, sendo que o mesmo não tem bananinha, o propiotario disse que não tem por ser segunda série ...mas lendo o texto entendi que deveria ter ....alguém pode me confirmar isso

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    1. olá, o texto diz que a bananinha foi utilizada até 1961. Portanto, todo fusca 60 tem bananinha.

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