Fusca

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

LINDBERGH: DO AVIÃO AO FUSCA


Charles Lindbergh, aviador, em foto dos anos 20.

A vida de Charles Lindbergh é uma das biografias mais fascinantes do século XX. Quem tiver oportunidade de ler algo a respeito, ficará surpreso e encantado com as façanhas e dramas de Lindbergh.

Lindbergh com o avião da façanha: O Espírito de St. Louis.

Nascido em 1902, Charles Lindbergh se tornou, aos 25 anos de idade, um ícone da aviação. Por quê? Foi o primeiro piloto a sobrevoar o oceano atlântico num vôo sem escalas, a bordo de um pequeno avião chamado de “O Espírito de Saint Louis”. A duração do vôo? 27 horas. Saiu de New York em 20 de maio de 1927 em direção a Paris, França. Em sua chegada à capital francesa foi recebido como herói por cerca de 150.000 franceses. Foi considerado o homem do ano pela Revista Time em 1927. Teve o filho seqüestrado e morto 5 anos depois. Lindbergh era tão popular à época que até o gângster Al Capone chegou a oferecer uma recompensa por qualquer informação que levasse ao paradeiro do filho sequestrado. Durante a segunda guerra mundial foi acusado, injustamente, de simpatia pelo nazismo, pois defendia uma posição neutra do EUA na guerra. Quando o Japão atacou Pearl Harbor, alistou-se no exército como voluntário, mas o Presidente Roosevelt recusou sua colaboração. Ele só foi admitido para participar das lutas como piloto em 1944. Morreu de câncer em agosto de 1974, no Havaí. Apesar de ter sido casado desde 1929 com Anne Morrow, em 2005 veio à tona que manteve, durante vinte anos, uma vida conjugal secreta com a alemã Brigitte Hesshaimer, com a qual teve 3 filhos (Dyrk, Astrid e David). Exames de DNA comprovaram que os três eram realmente filhos de Lindbergh.

Fusca 1959 pertencente a Charles Lindbergh.

Bom, mas não é por causa de sua pioneira travessia pelo atlântico ou de sua vida - heróica e conturbada - que Charles Lindbergh figura neste blog. Lindbergh está na Garagem do Opa por causa de seu fusca. Isso mesmo, um fusca, ano 1959.

Lindbergh comprou o fusca em Paris.

Lindbergh comprou o carro zero kilômetro em Paris, no ano de 1959. Pagou pelo besouro aproximadamente U$ 1.000,00. Como todos os fuscas, veio de fábrica sem o rádio e, apesar disso, Lindbergh nunca colocou um radinho no besouro. Os únicos acessórios que instalou no fusca foram cintos de segurança e um rack para colocação de esquis.
  
O fusca de Lindbergh o acompanhou durante 13 anos.

Durante o período que viveu na Europa, Lindberg usou o fusca como um carro de família e também como companheiro de aventuras. Utilizou o fusca em inúmeras viagens que fez por toda a Europa, Ásia e África. Lindbergh era um homem alto e, apesar disso, preferiu usar o fusca em suas viagens. Diz-se que optou pelo fusca a qualquer outro veículo porque preferia passar despercebido, sem ser reconhecido como uma celebridade. Em verdade, a travessia do atlântico transformou Lindbergh num herói além-mar. Além dos americanos, o mundo todo reverenciava seu feito. E tudo que fazia era avidamente acompanhado pela mídia. Todavia, prefiro crer que Lindbergh escolheu o fusca pela suas qualidades, como sua durabilidade mecânica, robustez, facilidade de manutenção e versatilidade, pois sabia que precisaria de um carro assim para enfrentar qualquer terreno, qualquer clima, sem qualquer dissabor. E o fusca era perfeito para tais desafios. Lembremos que Lindbergh era um profundo conhecedor da tecnologia da aviação. Quando garoto, vivendo na fazenda da família em Minnesota, interessava-se mais pelo trator, seu funcionamento, do que pelas plantações. Certamente, esse conhecimento de Lindbergh influenciou na escolha do fusca como seu companheiro de aventuras.

Guerreiros Massai. As lanças não couberam dentro do fusca.

Lindbergh chegou a escrever sobre suas viagens com o fusca. No Quênia, em certa ocasião, encontrou dois guerreiros Massai, no Quênia e ofereceu-lhes uma carona a bordo do besouro. “Eles aceitaram solenemente e adentraram no pequeno Volkswagen, porém, suas lanças grandes e afiadas eram muitos longas para ficarem do carro.” Ele então apontou para um dos guerreiros sentar-se no banco de trás e, o outro, na frente, no banco do passageiro, a quem que segurasse as lanças através da janela aberta. “Meu Volkswagen parecia um cavaleiro armado no meio da areia e poeira do deserto”, lembrou Lindbergh.

Lindbergh com seu fusca 1959 em foto de 1970.

Lindbergh rodou aproximadamente 208.000km com o fusca pelos quatro continentes. Conheceu os mais diversos países e culturas. Nunca se desfez do fusquinha.
Lindbergh nos últimos anos de sua vida. Foto de 1970.

Dois anos antes de sua morte, Lindbergh doou o fusca para o museu Minnesota Historical Society, onde atualmente pode ser visto. Após ter feito a doção do fusca para o Museu, Lindbergh escreveu, “Ao assinar o documento de transferência do Volkswagen, fiquei surpreso com as lembranças que ele me trouxe”. Deixou registrado a afeição que sentia pelo pequeno carro.

Pára-lama abalroado pela filha de Lindbergh.

Em 2001, o fusca passou por uma completa revisão mecânica, foi feito um bom polimento, passado um produto para conter a propagação de ferrugem, porém, nunca foi completamente restaurado, conservando, ainda, a pintura e o interior original. Alguns amassados na lataria ainda estão lá, lembranças vivas das aventuras que o fusca viveu com seu honorável proprietário.

Reeve Lindbergh, a filha mais nova de Charles.

Reeve Lindbergh, a filha mais nova de Charles com Anne Morrow, escreveu um livro de memórias sobre sua família “Under a wing” ou, mal traduzindo, “Sob uma asa”, no qual lembra que aprendeu a dirigir no fusca de seu pai e que foi ela própria que abalroou o pára-lama dianteiro num acidente na estrada.


Lindbergh podia ter o carro que quisesse, porém, optou pelo fusca. E nunca se desfez dele. Hoje, além de ser um carro antigo, é objeto de museu. Essa história, meus amigos, não é ficção, tal qual os filmes da Disney sobre o nosso querido Herbie. É história viva! Do avião ao fusca. E viva o fusca!

4 comentários:

  1. Bela história. Cresci admirando o Lindberg.

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  2. História muito bonita amigo. Um herói que dirigía um ícone! Parabéns pela postagem. Abraços.

    Alex.
    http://vwfuscabrasil.blogspot.com/

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  3. Linda história...

    e este blog é PURA POESIA!^^

    ONE

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  4. Gostei mesmo do Fusca 1959 bege metálico.

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