Fusca

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O RÁDIO DO POVO

1938 foi um ano especial para o fusca.

Foi o ano em que o fusca foi apresentado em sua forma definitiva para o mundo, tal qual o conhecemos hoje.

Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda (1897-1945).

Além de um carro acessível para todos (o carro do povo ou volkswagen), o governo de Hitler patrocinou, também, um projeto para a fabricação de um rádio simples, barato e que estivesse no lar de cada família alemã.  Joseph Göbbels, Ministro da Propaganda do governo hitlerista, estava à frente do projeto, haja vista seu interesse direto na disseminação da ideologia nazista. Atribui-se a Göbbels a famosa frase que "uma mentira dita cem vezes torna-se uma verdade". Um rádio de baixo custo, que todos  facilmente pudessem adquirir, fez-se necessário para os desígnios daqueles que comandavam a Alemanha à época. 

Com esse enfoque, nasceu, em 1938, o Deutscher Kleinempfänger (DKE), ou o pequeno rádio alemão. O DKE, quando do seu lançamento em 1938, custava aproximadamente 35 DM (trinta e cinco marcos alemães), a metade do valor de um rádio normal.

Estes rádios foram feitos entre 1938 e 1944. O gabinete era feito de baquelite. Possuia dois botões apenas, um para ligar/desligar/volume e outro para sintonizar. Na parte central dianteira da caixa, figura a águia alemã e a suástica nazista. Esse mesmo emblema encontra-se insculpido na parte interna da caixa. O dial central gira para quando se procura uma estação. O rádio sintoniza, em um único botão, duas bandas: ondas médias e ondas longas (muito comum na Europa). A sintonia de ondas curtas era proibida na Alemanha, pois permitia que se ouvisse rádios estrangeiras. Apesar disso, os proprietários do DKE podiam instalar (clandestinamente, é óbvio) uma antena ao rádio, fazendo com que pudessem, principalmente à noite (quando as ondas se propagam melhor), ouvir estações localizadas em países vizinhos.

Inicialmente, os rádios foram produzidos pela empresa Seibt, em Berlim. Mais tarde todas as grandes empresas da época fabricaram o DKE, tais como a AEG, Braun, Blaupunkt, Brandt, Emud (Maestling), Eumig, Hagenuck (Nordmark, Neufeld & Kuhnke), Lange, Loewe (Radio AG), Lorenz , Mende, Nora, Orion, Owin, Philips, Radione, Reico, Saba, Sachsenwerk, Schaleco, Schaub, Siemens, Stassfurter Rundfunk, Tefag, Telefunken e Zerdik. Apesar de serem diversos os fabricantes, os rádios eram todos iguais, com o mesmo design; o que os diferenciava era o nome do fabricante na tampa traseira e numa plaqueta interna fixada no chassis do rádio. Foi desenvolvido também um DKE com baterias, para que as pessoas sem energia elétrica também pudessem ouvir as transmissões.

 A plaqueta de identificação do fabricante aplicada sobre o chassis do rádio. A Telefunken e a Blaupunkt são as marcas mais interessantes para os amantes do fusca, pois ambas foram fornecedoras oficiais de rádios para a Volkswagen, a primeira nos anos 50 e, a segunda, além dos anos 50, nas décadas seguintes.

A válvula original possui o símbolo do governo alemão da época ...

... o alto-falante também.

O rádio era extremamente simples: possuia apenas duas válvulas (VY2 e VCL11). Funciona em corrente elétrica alternada: 110-130 volts, 150 ou 220/240 volts, por meio de um seletor localizado na parte de trás do rádio.

Esquema elétrico do rádio.

Folder do rádio. Frente ...

... e verso.

A apresentação do rádio aos agentes do governo.

A distribuição do rádio à população.

Enquanto o fusca foi o carro do povo, o DKE foi o rádio do povo alemão durante aquele duro período da história da humanidade. Porém, enquanto o povo alemão colheu os frutos (econômicos) do fusca somente após o término da guerra, o DKE representou efetivo e imediato acesso da população ao principal meio de comunicação da época: o rádio. Em tempo: após a morte de Hitler, no último fôlego do regime nazista, Göbbels - principal protagonista das transmissões radiofônicas - após ter assassinado seus seis filhos, cometeu, junto com sua esposa, suicídio.

3 comentários:

  1. Olá OPA.
    Esta história eu não conhecia, e é apesar de tudo oque aconteceu no passado, muito curiosa e interessante.
    Dario Faria

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  2. Oi Dario, eu desconhecia essa história até recentemente, quando um senhor de curitiba me apresentou a esse rádio. Quando vi as suásticas no rádio fiquei pasmo! Esse senhor que me falou que esse rádio foi feito com o mesmo espírito do fusca: barato, simples, durável. Daí, corri atrás, pesquisei, confirmei a história e postei o material que consegui.

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  3. Uau! este teu último comentário deixa tudo ainda mais fantástico Opa!

    ONE

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