Fusca

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

CÂMBIO BIPARTIDO, CASCA DE AMENDOIM OU MELANCIA

 A caixa do câmbio do fusca alemão, utilizada até meados de 1961, é conhecida, popularmente, como melancia ...

 ... ou casca de amendoim, pelo fato de abrir-se ao meio, tal qual essas dádivas da natureza.

A carcaça do câmbio é dividida em duas partes ...

... fechada por parafusos em sua parte superior e inferior.

Veja a caixa de câmbio aberta. Daí surgiu o apelido. Não lembra mesmo uma casca de amendoim aberta ou uma melancia cortada ao meio?

Repare na caixa de câmbio utilizada nos fuscas a partir de 61 (foto acima) e perceba as diferenças entre uma e outra. Além da diferença no aspecto visual, a caixa bipartida nunca será totalmente sincronizada, ou seja, a caixa bipartida é sinônimo de caixa "seca". Isso quer dizer que, no câmbio bipartido, todas as 4 (quatro) marchas são secas ou apenas a primeira, a depender do ano do fusca. Adiante, teceremos mais detalhes quanto ao período correto de uso dessas caixas.

As caixas de câmbio bipartidas tinham o logo VW estampado na carcaça ...

... além da respectiva numeração ...

... e o part number.

As coifas dos semi-eixos eram totalmente fechadas ...

... e possuiam a numeração e logo da VW.

As abraçadeiras das coifas são do tipo com grampos (não com parafusos, estas utilizadas nos fuscas mais modernos).

As engrenagens, feitas pela FAG, possuiam o logo da empresa, o país de fabricação (Alemanha) e o ano (no caso, 1958).

Acima, percebe-se o câmbio bipartido no manual do proprietário do fusca modelo 1960, editado em agosto de 1959.

A Volkswagen recomendava uma troca de óleo inicial da caixa de transmissão, para garantir o funcionamento silencioso da caixa de velocidades. É um óleo específico para engrenagens (SAE 90), mais espesso e escuro, diferente do óleo do motor. Cerca de 2 litros de óleo são necessários para essa operação (era recomendado não esgotar toda a caixa).

Vista interna do câmbio, extraída do Manual do Proprietário de um fusca 59/60. O fusca modelo standard utilizava, ainda, a caixa de câmbio com as quatro marchas não sincronizadas. Porém, quase não existem modelos standard no Brasil, pois, em tese, vinham para cá apenas os modelos tipo exportação (type 113).

Por incrível que possa parecer, de 1938 até 1960 (na Alemanha) o fusca utilizou, basicamente, da mesma caixa de câmbio, evoluindo apenas no sistema de sincronização das marchas.

Acima, vista interna do câmbio do fusca utilizado até setembro de 1952. Nesse período, todas as 4 (quatro) marchas do fusca eram NÃO sincronizadas, ou seja, todas as marchas eram secas. São poucas as pessoas que conseguem dirigir, com desenvoltura, um câmbio não sincronizado, pois há necessidade de debrear, ouvir e, por fim, trocar as marchas no tempo certo (na rotação correta do motor). Caso contrário, as engrenagems sofrerão desgaste e podem se danificar pela imperícia do motorista.

De outubro de 1952 até julho de 1960, o fusca passou a ter a segunda, terceira e quarta marchas sincronizadas. Somente a primeira era seca. No Brasil, esse câmbio foi utilizado por um período um pouco maior, até o início de 1961.

A partir de agosto de 1960 (na Alemanha) e do segundo semestre de 1961 (no Brasil), todas as marchas passaram a ser sincronizadas e a carcaça de câmbio foi totalmente reestilizada, perdendo sua característica de ser bipartida. Foi o fim da caixa tipo casca de amendoim ou do tipo melancia.

Acima, vista da caixa semi sincronizada (52-60) e da caixa sincronizada (a partir de 61), retirada de um catálogo de peças de 1964, editado pela Edauto Publicações Automobilísticas.

A caixa bipartida era construída totalmente na Alemanha, sendo que todos os seus parafusos são da marca Kamax e Knipping, em sua maioria (sobre marcas de parafusos visite o tópico http://www.opasgarage.blogspot.com/search/label/PARAFUSOS)
A caixa de câmbio bipartida possui manutenção difícil, pois não se acha mais peças de reposição. Certamente por isso, e pelo fato de não ser totalmente sincronizada, foi sendo trocada pelos proprietários ao longo dos anos. Porém, os fuscas que ainda a possuem, atestam sua originalidade e conservação.

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