Fusca

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O PAPO É SEGURANÇA!


O cinto de segurança é um dispositivo - como o próprio nome sugere - de segurança dos ocupantes do automóvel, impedindo, no caso de alguma colisão, que o passageiro se projete contra o pára-brisas, painel, volante, ou mesmo para fora do veículo.


O primeiro cinto de segurança foi patenteado em 1895, nos Estados Unidos da América, baseado nos modelos utilizados nas primeiras aeronaves, porém, somente em 1958 o dispositivo foi utilizado pela primeira vez num veículo.


Curiosamente, o cinto de segurança encontrou resistência no seu uso, tanto aqui quanto lá fora. "Um carro que o motorista precisa ser amarrado dentro dele não deve ser seguro!", dizia parte da população americana. Porém, a partir de 1962, gradativamente os estados americanos passaram a exigir o uso do equipamento de segurança. No Brasil, o cinto de segurança passou a ser obrigatório em todos os veículos novos fabricados a partir de 01.01.1970, conforme previsão da Resolução Contran nº 391, de 1968 (Diário Oficial de 04.06.1968, cujo art. 1º, § 1º assim dispunha: "A partir de 1º de janeiro de 1970, nenhum veículo novo, dos acima mencionados, será licenciado sem a instalação dos cintos de segurança"). A obrigatoriedade do uso do cinto de segurança por meio da citada resolução, tomou por fundamento "que o uso de cintos de segurança para automobilistas, já adotado em diversas partes do mundo, é medida que se impõe a fim de proteger a vida dos motoristas e passageiros, em face do número cada vez maior de acidentes que ocorrem por todo o território nacional" e, ainda, por considerar  "que muitas vidas poderão ser salvas e graves lesões físicas evitadas com a adoção desse medida". As montadoras tiveram mais de um ano para se adaptar às novas regras de segurança veicular. Portanto, originalmente, os Fuscas fabricados até 1969 não vinham de fábrica com o cinto de segurança. Até 69, cinto de segurança em Fusca é considerado acessório e não equipamento original. 

Anúncio de Maio de 1963.

Apesar de os veículos novos serem obrigados a ser equipados com o cinto de segurança, em função da Resolução Contran nº 391, de 1968, o seu uso não era obrigatório. Tinha-se o cinto no veículo, mas poucos usavam. Apenas em 1989 seu uso tornou-se obrigatório nas rodovias nacionais e somente a partir de 1º de janeiro de 1998, quando entrou em vigor o novo Código de Trânsito Brasileiro, passou a ser de uso compulsório em qualquer via pública (rodovias, área urbana e rural). Em São Paulo a obrigatoriedade de uso do cinto de segurança nos bancos dianteiros nas vias urbanas já existia desde 1994, implantada por meio de uma lei municipal, promulgada na gestão do então prefeito Paulo Salim Maluf.

Anúncio de Julho de 1968.

Os cintos de segurança são feitos em cadarço (tirantes) de material sintético, com fivelas confeccionadas em aço estampado. Havia vários tipos de cintos de segurança, mais usados na época: 1) Pélvico: usado na bacia pélvica, um pouco abaixo da cintura. Era fixado no assoalho do carro; 2) Diagonal simples: preso perto do teto do carro, na coluna central, passando diagonalmente pelo tronco do passageiro até um gancho soldado no assoalho ou no túnel. Esse foi o tipo de cinto adotado pela Volkswagen do Brasil em seus carros a partir de 1970; 3) Suspensório ou arreio: feito de um cinto pélvico ao qual são presas correias que se cruzam sobre o corpo do motorista ou passageiro, passando por cima do banco e prendendo-se no assoalho, atrás do assento; 4) Pélvico e diagonal combinados: com um terceiro ponto de fixação na base da coluna central, era o mais popular nos EUA na época. Com seu aperfeiçoamento são atualmente chamados de cintos de segurança de três pontos, cruzando o peito do usuário, proporcionando-lhe maior segurança. O cinto de três pontos protege o deslocamento do quadril e do tórax do usuário. O cinto de três pontos foi desenvolvido pelo engenheiro sueco Nils Bohlin, da Volvo, em 1959.

 Anúncio de Dezembro de 1968.

Nos anos 60, a instalação do cinto de segurança não era tarefa das mais fáceis; exigia um trabalho de funilaria especial, sendo necessário soldar no assoalho ou nas colunas as peças de fixação. Nos Fuscas até 1969 era comum a fixação dos cintos diagonais na coluna central e no assolho ou no túnel; se abdominais, somente no assoalho.

Anúncio de Junho de 1969.

A PROTEJ eram uma das poucas empresas que na época fabricava cintos diagonais. "O salva-vidas no automóvel", dizia o anúncio da empresa de 1969.

Anúncio de Outubro de 1970.

Até 1969 poucos eram os fabricantes do acessório. METAGAL, PROTEJ, FITIN e CARCINTO eram dos poucos fornecedores do produto nos anos 60. Apenas os motoristas mais conscientes se preocupavam em instalar o "cinturão" de segurança. A partir de 1970, diversas empresas começaram a fabricar o produto, de modo a atender à demanda das montadoras e do próprio mercado paralelo de peças. As principais fornecedores da Volkswagen do Brasil era a RESIL S.A, HUZIMET AÇOS ESPECIAIS LTDA, CHRIS CINTOS (www.chriscintos.com.br, empresa fundada em 1952 e fabricante de cintos de segurança desde a década de 70), DELLA-MINA, VIGORELLI, METALÚRGICA DALL'ANESE LTDA. Outras indústrias aproveitaram o embalo e começaram também a fabricar o equipamento: ACIL, ARMENTANO, COBRA, DI FRANCESCO, EUROPLASTIC, FRANCOFLEX, QUINDAL, KELLEMANN, FUSKA (sim, é esse o nome da empresa!), REDECAR, COPACABANA, TIBOR, STRADA, ORIGINAL, KANGOL.


O equipamento era vendido no mundo inteiro, sendo seu uso obrigatório ou não a depender da legislação própria de cada país. Acima, anúncio dos anos 60 da fabricante alemã NECKERMANN.


O dispositivo figurava no catálogos de acessórios originais VW nos EUA e Alemanha.


O acessório, quando oferecido na rede de concessionárias VW, possuía o logo VW na fivela.

Esquema de instalação do cinto de segurança.

Instruções de uso do cinto de segurança.

Os cintos possuem data de fabricação.

Os cintos de segurança, quer como equipamentos originais, quer como acessórios, possuem sempre a data de fabricação. Acima, cinto de segurança datado de abril de 1975, instalado num Fusca do mesmo ano. Essa data pode ser uma referência para confirmar o ano do Fusca ou mesmo para indicar seu nível de originalidade. No Fusca, o cinto utilizado é do tipo diagonal simples, exceto para o passageiro que senta na parte central do banco traseiro, cujo cinto é do tipo abdominal. Os Fuscas Itamar, fabricados a partir de 1993, passaram a vir equipados com cintos de três pontos nos bancos dianteiros.  


No início dos anos 70 apenas três marcas fabricavam os cintos diagonais: a PROTEJ, a VIGORELLI e a KELLEMANN. As demais produziam apenas o cinto abdominal. A VIGORELLI era a única empresa cujos cintos de segurança possuíam enrolador automático, o que evitava que os cintos ficassem soltos dentro do veículo. Um luxo para a época!


Para manter o cinto sempre guardado e organizado, surgiu, nos anos 70, diversos modelos de suportes de cinto ou porta-cintos ou estojo para cintos, feitos em material plástico e presos no próprio parafuso que fixava o cinto na coluna do veículo. 


Com o porta-cintos, o cinto de segurança ficava enrolado no interior do estojo.


Havia vários modelos disponíveis de porta-cinto e diversos foram seus fabricantes.


A ICIPA PEÇAS DE MÁQUINAS E ACESSÓRIOS LTDA foi uma dessas empresas que fabricaram o estojo para os cintos de segurança.


O estojo dava um visual mais clean ao besouro. Porém, nos dias atuais, não há como negar que seria pouco prático na hora de usar o equipamento. Mas, considerando que na época, o cinto de segurança nem era usado no dia-a-dia, não deixava de ser um acessório útil.

Um comentário:

  1. Aqui em São Paulo mesmo na década de 90 quando passaram a multar quem não usasse o cinto, ainda muita gente reclamava, pois apesar de ter leis obrigando a usar cinto muito antes, ninguém usava cinto aqui em São Paulo antes, mas agora... o cinto de três pontos não passou a equipar o Fusca a partir da década de 80 não??, pergunto porque me lembro de quando eu era moleque ter andado num Fusca 1986 que já tinha os cintos de três pontos enroláveis nos bancos da frente.

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