Fusca

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sexta-feira, 30 de maio de 2014

EVOLUÇÃO DO CINZEIRO DO PAINEL

Os Fuscas modelo exportação (luxo) e cabriolet fabricados a partir de 1950 saíam de fábrica com um cinzeiro no painel.

O cinzeiro possuía um formato cilíndrico e era guarnecido com um puxador feito em baquelite, na cor marfim.

A partir de outubro de 1952, com o lançamento do Zwitter, o cinzeiro ficou maior e um pouco mais longe do motorista, agora localizado à direita da grade do alto-falante, ao lado do porta-luvas. Note-se, contudo, que esse cinzeiro não possuía puxador e, tampouco, qualquer outro adorno cromado. Ele era aberto apertando-se a própria chapa metálica na sua base inferior. Essa chapa era soldada na estrutura interna do cinzeiro e pintada na cor da carroceria. 

Em março de 1953 ocorreu discreta mudança no cinzeiro: ele foi agraciado com um puxador cromado. Continuou, todavia, sem o friso cromado que só posteriormente foi introduzido.

Em 1954 nova alteração: muda-se  o corpo interno do cinzeiro fazendo com que a tampa pareça envolta em um friso cromado. A tampa não é mais soldada, mas fixada à parte interna por meio de dois pequenos parafusos.

Em agosto de 1957, com o fim do modelo oval, o cinzeiro passa a ser localizado no meio do painel, em sua parte inferior, logo abaixo do local para instalação do rádio. A tampa, pintada na cor da carroceria, ganha um botão que combina com o restante do painel. Esse modelo de cinzeiro, com botão, foi utilizado até setembro de 1969.

A partir de outubro de 1969 o cinzeiro perdeu o botão. A tampa mudou de formato, ganhando, em sua parte inferior, uma pequena dobra para permitir a abertura do cinzeiro. 

Em agosto de 1970, com o lançamento do Fusca 71, o modelo 1300 continuou com o mesmo cinzeiro e a tampa continuou a ser pintada na cor da carroceria.

Entretanto, o Fusca 1500, também lançado em agosto de 1970, tinha a tampa do cinzeiro na cor preta, em textura corrugada.

A partir de agosto de 1973, tanto nos modelos 1300 como nos 1500, o cinzeiro passou a ter tampa plástica, com a indicação das trocas de marchas. Essa mudança ocorreu em função da Resolução Contran 461/1972, que determinou que todos os carros de fabricação nacional tivessem a identificação das posições da alavanca de câmbio em lugar visível ao motorista. A VW do Brasil optou por cumprir a determinação com a colocação do esquema de marchas na tampa do cinzeiro. Esse modelo de cinzeiro perdurou até o fim da produção do Fusca e, a depender do ano/modelo, a tampa do cinzeiro podia ser preta, chocolate (nos Fuscas monocromáticos) ou cinza (nos Itamar), porém, sempre com o grafismo branco.

CURIOSIDADE

O cinzeiro do Fusca fabricado entre 57 a 59 possuía um suporte na parte interna que permitia uma melhor acomodação do cigarro. Com 4 (quatro) pequenas aletas fazia com que a cinza escorregasse para o fundo do cinzeiro.   

Em meados de 1959 a parte interna do cinzeiro ficou mais simples, porém, menos prática para o fumante, uma vez que, a partir de então, o cinzeiro passou a ter apenas com uma única e pequena lingueta de amassamento do cigarro.

Diferença entre os cinzeiros 57/59 e 59/69.

ACESSÓRIOS

Cinzeiros extras, disponíveis como acessórios de época, não faltaram ao besouro. No Fusca split, por exemplo, trocava-se a moldura com o relógio de horas original por outra, mais completa, que além do relógio em tamanho menor, vinha com dois cinzeiros adicionais (um para o motorista e outro para o passageiro), além de um acendedor de cigarro.

Na foto acima, perceba um modelo de cinzeiro que era encaixado na própria abertura do cinzeiro original do Fusca split, podendo ser instalado sem necessidade de furar o painel. Combinava com o restante do painel e era bem maior que o original.

Como o Fusca split não vinha de fábrica com tampa no porta-luvas, podia-se instalar, como acessório, uma tampa conjugada com um cinzeiro extra.

O cinzeiro tinha o logo VW e dava um toque de beleza ao interior do besouro.

Outra opção, mais simples e discreta, era instalar um cinzeiro adicional embaixo do painel, como o feito pela alemã HAGUS, cromado, com pegador de baquelite marfim. Os cinzeiros eram instalados na época para suprir a deficiência do cinzeiro original: no split era muito pequeno; no oval, muito distante do motorista.

Nos Fuscas ovais, quem quisesse mais requinte, trocava o cinzeiro por um relógio elétrico conjugado com cinzeiro feito pela KIENZLE. O compartimento para o cigarro ficava menor, porém, o deslumbrante relógio compensava o aperto do pito.

O relógio da KIENZLE possuía grafismo que combinava com o velocímetro do Fusca. O botão marfim de baquelite tinha a inscrição KIENZLE em alto relevo. A vantagem desse acessório é que, além de dar maior sofisticação ao Fusca, era instalado sem a necessidade de furar o painel, pois utilizava-se do mesmo local do cinzeiro original.

Ainda na era dos ovais, há quem utilizasse o tampa cega do rádio para instalar mais um cinzeiro no Fusca. Para quem o cigarro era mais importante que a música.

Não fuma? Utilize melhor o espaço destinado ao cinzeiro do Fusca e instale, no local, um mini rádio.

Era um acessório mexicano feito pela empresa LORIA. Era necessário retirar todo o corpo interno do cinzeiro para instalar o pequeno rádio.

Quem não quisesse perder tempo, aproveitava para bater as cinzas do cigarro enquanto trocava as marchas, instalando um cinzeiro na própria alavanca de câmbio.

Esse tipo de cinzeiro eram feitos em baquelite ou em porcelana. Típico dos anos 50, constava do catálogo oficial de acessórios da VW alemã.

Cinzeiros imantados eram outra opção na época. Podiam ser fixado em qualquer lugar do painel do Fusca. A empresa brasileira LEÃO fazia esse tipo de cinzeiro, com o corpo em diversas cores para combinar com o painel do veículo. A alemã HAGUS também fabricou o cinzeiro fixado no painel por ímã.

Uma pequena chapa metálica podia ser instalada facilmente no cinzeiro original do Fusca permitindo que o cigarro ali repousasse sem o perigo de cair no chão. Para mais informações clique aqui.

Utilizar o vidro do Fusca para pôr um cinzeiro fixado por sucção também é uma boa pedida.

A instalação de uma pequena lâmpada sobre o depositório, fazia com que o cinzeiro, mesmo à noite, ficasse sempre visível. Um conforto a mais para o motorista fumador. Era necessário, contudo, furar o painel (8mm de diâmetro).

Quando instalada, a luz do cinzeiro passa quase que imperceptível aos olhos. Esse acessório era fabricado por diversas empresas alemãs, sendo a marca DEHNE a mais famosa.

 O que você enxerga à noite não precisa procurar! 

2 comentários:


  1. Nossa!^^

    Uma viagem no tempo e uma verdadeira aula de requinte e história^^

    Obrigado Opa^^

    Abrax^^

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  2. Toda vez que eu via aquele negócio estranho na alavanca de marchas do Fusca eu me perguntava para que servia e graças a esse post hoje eu sei que é um cinzeiro, aliás, hoje em dia, os carros nem tem mais cinzeiros, acho que os últimos que saíram com cinzeiros foram o Mille e a Kombi e o acendedor de cigarros se transformou numa tomada 12V para carregar celulares.

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