Fusca

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segunda-feira, 9 de junho de 2014

TRIÂNGULO DE SINALIZAÇÃO

Todo cuidado é pouco, principalmente à noite, quando diminui a visão do motorista e a probabilidade de acidentes aumentam.

Todavia, seja dia ou seja noite, faz-se imprescindível o uso de uma sinalização refletora de emergência, como pré sinalização de perigo, para advertir o motorista de que há um carro parado à sua frente,  de modo a evitar um estrago maior.

O uso de um triângulo de sinalização ou de segurança é a opção mais prática e barata para o motorista precavido. Adotou-se o triângulo por que a figura geométrica triangular é sinal geral e universal de perigo.

A sinalização de emergência é importante em qualquer situação: quando o carro tiver problemas mecânicos, estiver sem gasolina, envolvido em algum acidente ou, simplesmente, para trocar um pneu furado. Apesar de seu grande valor, o uso do triângulo de segurança não era obrigatório nas estradas brasileiras até junho de 1968. Todavia, sua utilização já era recomendada desde setembro de 1952, quando a Comissão Executiva sobre Prevenção de Acidentes Rodoviários da ONU sugeriu que "todos os governos devem tornar obrigatório, em sua legislação, o uso de um material refletivo para sinalização prévia em caminhões e ônibus parados na estrada". Em janeiro de 1954, a mesma comissão fazia nova recomendação para que o dispositivo de segurança tivesse forma triangular e bordas refletivas vermelhas.

Anúncio de agosto de 1960.

Somente a partir de 1º de julho de 1968 é que o equipamento se tornou obrigatório no Brasil. De fato, remexendo na legislação daquela época, constata-se que o Decreto nº 62.127, de 16 de janeiro de 1968, que aprovou o Regulamento do Código Nacional de Trânsito, previa em seu artigo 92, inciso "j", que "são equipamentos obrigatórios: (...)  j) dispositivo de sinalização luminosa ou refletora de emergência, independente do circuito elétrico do veículo".  Por sua vez, o artigo 248 do Decreto nº 62.127, de 1968, previa que "até 30 de junho de 1968, não se exigirá o uso dos equipamentos obrigatórios previstos nêste Regulamento, mas não reclamados pela legislação anterior, bem como do dispositivo de que cuida o seu art. 101." Já a Resolução CONATRAN nº 388, de 20 de março de 1968, que passou a vigorar a partir de 1º de julho de 1968, regulamentou questões técnicas envolvendo as características do triângulo de segurança, tais como, visibilidade mínima (alcance mínimo de visibilidade noturna de 150 m e refletibilidade diurna de 120 m), material de fabricação (não sujeito à deterioração pela ação das intempéries) e dimensões (triângulo equilátero com lado externo igual a 45 cm; largura mínima das abas 6 cm e área refletora de cor vermelha, com largura mínima de 5 cm, ocupando todo o comprimento dos seus lados).

Anúncio de Dezembro de 1967.

Assim, não sendo obrigatório até junho de 1968, esse equipamento é considerado acessório para os veículos fabricados até aquela data. Um dos fabricantes nacionais mais conhecidos foi a empresa INDÚSTRIA PETRACCO NICOLI S.A., que já ofertava o triângulo de segurança desde o início dos anos 60.

Os triângulos dessa época eram coberto com um material refletivo ("scotchlite"), eram dobráveis e normalmente guardados em estojo de proteção. O triângulo feito pela PETRACCO NICOLI chama-se "ALERTA", muito apropriado por sinal.

O triângulo da PETRACCO NICOLI possuia as bordas amarelas o que, segundo a empresa, proporcionava maior visibilidade à noite ou em dias com intensa neblina.

Anúncio de setembro de 1962.

Aos poucos, o material refletivo "Scotchlite" foi dando lugar ao acrílico na fabricação dos triângulos de segurança.

Além da PETRACCO NICOLLI, havia outros fabricantes do equipamento, como a ELDORADO,  BIANCO SAVINO e POLIMATIC, todos fornecedores oficiais da VW.

O triângulo de segurança da POLIMATIC era feito com olhos de gato redondos, em acrílico refletivo. Podia vir tanto em embalagem plástica ...

... quanto em estojo de plástico duro.

Um dos triângulos de segurança mais interessantes para uso do Fusca foi feito pela TRIÂNGULO DE SEGURANÇA STOP LTDA ...

... por causa da sua embalagem, com uma bela imagem da traseira do Sedan, tendo em primeiro plano o triângulo STOP e, ao fundo, um céu estrelado.

Foto de 1955 de triângulo de segurança.

Anúncio de julho de 1956, com placa de emergência fixada na traseira do Fusca.

O triângulo de segurança figurava nos catálogos alemães e americanos de acessórios.

Entre os fabricantes alemães, destacam-se as empresas ULO, HELLA, JOKON e OPTIWA.

Triângulo de segurança da marca ULO.

Nos anos 50 havia, na Alemanha, um tanque extra de combustível que tinha dupla função: propiciar maior autonomia ao veículo e, no caso de alguma pane, funcionava como sinal aos demais motoristas, pois possuía, no próprio tanque, uma pintura reflexiva de alerta. 


Tanque extra de combustível com sinalização de emergência.

Além desse tanque, fabricaram-se outros tipos de triângulo de segurança com função adicional integrada à peça. Tinha-se triângulo com maleta, com luz de emergência, com estojo de primeiros socorros, dentre outros menos criativos. Atualmente, há, inclusive, uma regulamentação do correto uso do triângulo de segurança no Brasil. Segundo a Resolução CONTRAN nº 36, de 21 de maio de 1998, no caso de uma situação de emergência, o condutor deve acionar de imediato as luzes de advertência (pisca-alerta) providenciando a colocação do triângulo de sinalização ou equipamento similar à distância mínima de 30 metros da parte traseira do veículo. O equipamento de sinalização de emergência deve ser instalado perpendicularmente ao eixo da via, e em condição de boa visibilidade.

Um comentário:

  1. Inclusive no lugar onde foram fabricados os triângulos da Petracco - Nicoli, funcionava a Sandrecar, que era uma concessionária Ford, hoje no entanto, nesse endereço não tem mais nada, pois foi demolido tudo ali.

    https://www.google.com.br/maps/place/Ford+Sandrecar/@-23.5573849,-46.6195699,3a,75y,201.91h,90t/data=!3m6!1e1!3m4!1s-TOIp03EQQUrDEtsoVTABw!2e0!7i13312!8i6656!4m2!3m1!1s0x0:0xa1a432180c436b95!6m1!1e1

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