Fusca

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terça-feira, 7 de outubro de 2014

LACRE DO VELOCÍMETRO

Por conta do indefectível "jeitinho brasileiro" e para evitar a adulteração da quilometragem real do hodômetro, principalmente durante o período de garantia, a VW introduziu, no início de 1965, o procedimento de lacração dos velocímetros de seus veículos, na época, o Fusca, o Karmann-Guia e a Kombi.

Em novembro de 64 a VW já alertava à sua rede credenciada que, a partir de dezembro daquele ano, seus veículos seriam dotados com novo tipo de cabo de velocímetro (peça nº 113.957.801 ZA e 211.957.801 Z). 

Uma das finalidades dessa alteração nos cabos era propiciar a lacração do cabo por parte dos revendedores e oficinas autorizadas, que veio a se concretizar meses mais tarde.

Para tanto, em abril de 1965, a Volkswagen do Brasil disponibilizou às concessionárias e oficinas credenciadas o alicate especial para lacração do cabo do velocímetro (foto acima).

Lacre do velocímetro na extremidade da roda esquerda.

O equipamento foi utilizado para lacrar tanto a extremidade superior do cabo, quanto aquela que se situa no encaixe da roda esquerda. A partir de então, cada veículo possuía 2 (dois) lacres em cada cabo: um que podia ser visto logo atrás do velocímetro, e outro no eixo dianteiro esquerdo, visível apenas com a retirada da calotinha de proteção do cubo da roda.

A VW recomendava expressamente que o alicate fosse mantido em lugar reservado e usado unicamente no recinto das oficinas, por uma única pessoa, que deveria inclusive, assinar um termo de responsabilidade quanto ao correto uso da ferramenta, inclusive com firma reconhecida em cartório. O mau uso do alicate podia implicar em punição tanto à concessionária quanto ao funcionário que fosse por ela responsável.

Portanto, os veículos não saiam com o lacre de fábrica no cabo do velocímetro. Esse serviço era feito pelas próprias concessionárias por ocasião da execução do serviço de inspeção de entrega do veículo ao cliente ou, posteriormente, num eventual reparo do conjunto eixo dianteiro ou por necessidade de troca do cabo. E esse procedimento só começou a ser adotado em 1965. Portanto, Fuscas até aquele ano não possuíam lacre no velocímetro.

As matrizes do referido alicate eram, de um lado, o emblema VW ...

... e, de outro, o DN do revendedor ou oficina autorizada. DN vem do inglês "Dealer Number" e é um número atribuído a todas as concessionárias Volkswagen. Nos anos 50 e 60, além das concessionárias havia as oficinas autorizadas que também recebiam o DN. Por exemplo: a extinta concessionária DACON tinha por DN o nº 309; a AUTO MODELO, do Rio de Janeiro, possuía o nº 21; a gaúcha PANAMBRA nº 55, SABRICO nº 26, a mineira MILA de Sete Lagoas nº 255, e assim por diante. Se, porventura as pastilhas de marcação fossem extraviadas, a VW emitia um comunicado e substituía as anteriores por outras, porém, acrescenta o número "1" ou "2" ao DN do revendedor ou oficina autorizada. Exemplo: 309.1, 055.2, etc. 

Utilizava-se "chumbo lacre", de 12,7 mm (1/2 polegada) e fios de arame trançados, que eram adquiridos pelas autorizadas no comércio local.

Acima, detalhe do lacre do velocímetro.

Lacre do velocímetro em um Fusca 1978.

Agradeço, sinceramente., aos irmãos gêmeos Carasai, do Rio Grande do Sul, que cederam as fotos do alicate para ilustrar esse post. Parabéns aos dois por bem guardarem essa rara peça da história da VW do Brasil. Agradeço também ao Éverton Rováris, quem primeiro me fez conhecer essa ferramenta.

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