Fusca

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

MUDANDO O VISUAL

O luxo e a simplicidade. O sofisticado e o singelo. O aristocrático e o popular. O portentoso e o espartano. O caro e o barato. O grande e o pequeno. O Rolls Royce e o Fusca. Poderiam carros tão díspares terem algo em comum? 

A NKG, respondendo à pergunta, dizia que sim: as velas de ignição sãos as mesmas para os dois carros. Em anúncio dos anos 70, a empresa alardeou que não importava o custo do seu automóvel:  o preço das velas NGK seria rigorosamente o mesmo. 

Todavia, o fato de os dois automóveis poderem usar as mesmas velas não convenceu a muitos. Houve quem quisesse aproximar ainda mais os dois modelos. Para  aplacar esse anseio, nos final dos anos 60 surgiu nos EUA e Europa kits que transformavam um Fusca num verdadeiro Rolls Royce. 

Anúncio de março de 1973.

Exageros à parte, a transformação básica consistia apenas na substituição do capô original por outro, feito em fibra de vidro, no formato semelhante ao capô do automóvel inglês. O acessório chegou a ser fabricado no Brasil pela empresa paulistana MULTI-NATIONAL S/A Administração e Participações, sob a marca Mini-Rolls. A intenção do kit era modificar as linhas do Fusca, tornando-o um carro diferente. O capô era feito em fibra de vidro e a grade frontal cromada em plástico ABS. Obviamente, o novo capô precisava ser pintado na cor da carroceria, para, depois, ser instalado no Fusca. Além de mudar o visual do besouro, o novo capô aumentava a capacidade de carga do porta-malas, Outra vantagem é que o Fusca podia ser revertido à sua originalidade, bastando simplesmente retirar o capô de fibra e colocar o original. Alguns, porém, foram além, e mudavam, além do capô, o formato dos pára-lamas dianteiros visando abrigar faróis duplos, Houve também quem mudasse o formato dos pára-lamas traseiros, alongando-o para formar um rabo de peixe. Essas modificações adicionais tornaram o besouro ainda mais semelhante ao luxuoso carro inglês. O Mini-Rolls foi distribuído em São Paulo pela EDMORBA  e no Rio de Janeiro pela BENAUTO.

No anúncio feito em 1973 pela MULTI-NATIONAL para divulgar seu produto, é possível perceber outros acessórios que equipavam o Fusca, tais como rádio, aletas do limpador de pára-brisa, porta-cintos de segurança, calhas de chuva, bancos esportivos (muito possivelmente, feitos pela PROCAR) e cinta de proteção do pára-choque (provavelmente da marca NORFOL).

Mas não foi só o Rolls Royce o protagonista dessas transformações no Sedan. Lá fora, foram desenvolvidos capôs que deixavam o Fusca com visual mais clássico, parecido com os Ford e Chevrolet dos anos 30 e 40. Um desses kits era chamado de Wunderbug. Lançado no início da década de 70 na Europa e EUA, o capô era fabricado em fibra de vidro e a grade frontal feita em alumínio. O capô vinha com frisos laterais, harmonizando-se com o restante dos frisos originais do Fusca. Também proporcionava maior espaço no porta-malas. "É mais divertido ser diferente com um kit de conversão Wunderbug", propagava o anúncio da época. O kit servia em todos os Fuscas, exceto no Super Beetle. Tal qual ocorria com o kit do Rolls Royce, o Fusca não era alterado permanentemente, apenas o capô dianteiro original era retirado.

Fusca com o kit Wunderbug instalado. Perceba o adorno sobre o capô.

Já a empresa americana SUPER PLUS, de São Francisco, fazia o capô em material plástico para lembrar o Ford 1940. O conjunto completo incluía, além da troca do capô, apliques de plástico que eram colados na porta e na lateral traseira. O objetivo era caracterizar o Fusca à semelhança dos Ford Woody, construído com parte da carroceria em madeira. O visual era completado com rodas cromadas, pneus faixa branca e calotas raiadas. 

Anúncio com os kits Ford 40 e Rolls Royce. De quebra, oferecia um kit continental para substituir a tampa do motor do Fusca.

Outra variação do capô, feito pela americana Custom Craft Wagon Works, denominado The CW Plaza. O preço de ser diferente.

Alteração bem mais discreta sofria o capô do Karmann-Guia. Uma grade frontal era agregada ao KG para mudar-lhe o visual. Alguns modelos desse acessório exigiam trabalho de funilaria.

Em outros, porém, a grade extra era apenas fixada no capô original. A adição dessa grade ao KG o faz lembrar os antigos Alfa Romeo dos anos 50.

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