Fusca

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segunda-feira, 28 de março de 2016

CAPAS DE BANCO


Júlio acabara de adquirir um preservado Fusca do ano de 1966. Apesar de desbotada, boa parte da pintura ainda era original. Além disso, o exemplar contava com o motor de 1200 cm3 e a elétrica (pasmem!) ainda de 6 volts. O carro foi um verdadeiro achado! O primeiro dono cuidou bem do charmoso besouro. Recentemente falecido, os filhos trataram logo de se desvencilhar daquele "velho carro" que repousou na garagem da família por tanto tempo.


Tão logo soube que o veículo estava à venda, Júlio não titubeou e foi pessoalmente falar com os herdeiros. Fazia tempo que procurava um exemplar preservado do besouro. 

Todavia, ao se deparar pela primeira vez com o interior do veículo, chamou-lhe a atenção aquelas capas vermelhas que cobriam os bancos, já bastante surradas pelo uso prolongado. Ninguém da família soube informar se por baixo daquelas capas molambentas ainda se encontrava a forração original. Apesar disso, apostou em seu instinto e fechou o negócio. 


Tão logo o veículo aportou em sua garagem, o jovem rapaz resolveu aplacar suas preocupações em relação aos bancos. Começou o delicado processo de retirada das capas. O nervosismo era evidente. O suor vertia de sua fronte, mais pela ansiedade da descoberta do que propriamente pelo calor que fazia naquele dia. Quando finalmente conseguiu visualizar parte do revestimento que estava por baixo da capa, seu coração disparou. A forração ainda era a original de fábrica! Só ao retirar por completo as capas, pôde observar o quanto os bancos ainda estavam preservados. Pareciam novos ainda. Olhando ligeiramente para o alto, agradeceu aos céus pelo fato de o primeiro proprietário ter colocado aquelas capas, que, apesar de hoje rotas, cumpriram com galhardia seu papel de bem proteger o revestimento original dos bancos do Fusca durante tantos anos.


Quem já não ouviu uma história como essa? Em verdade, as indefectíveis capas de Fusca ajudaram a preservar milhares de revestimentos originais de fábrica. Além da função de proteger a forração dos bancos, as capas, em sua maioria, visavam também embelezar o besouro, tornando o interior mais sofisticado e acolhedor. 

Anúncio de março de 1952.

E não pense que se trata de uma moda brasileira. A Europa e EUA também se curvaram às capas nos assentos do besouro. É gosto antigo. Desde o início dos anos 50, várias empresas na Alemanha ofereciam o acessório, podendo ser citadas a Kamei, Eckel, Kurz, Heiku, Van Den Bergh, Wilka e OK (iniciais do seu fundador Otto Kleyer).

Anúncio de abril de 1952.

Anúncio de abril de 1952.

Anúncio de 1955.

Anúncio de maio de 1955.

Anúncio de julho de 1955.

Anúncio dos anos 50 da empresa alemã Heiku.

Anúncio de fevereiro de 1956.

Anúncio de outubro de 1962.

O padrão escocês (xadrez) foi muito popular nos anos 50 na Alemanha.

Anúncio de setembro de 1962.

No Brasil, inúmeras empresas disponibilizaram o acessório, tais como a Occhialini, Auto Capas City, Procar, Rex, Capas Copacabana, Revescar, Cardecor, Casa Paulista (Irmãos Gianfratti), Revescity, Clenice. Koncentra, Sarel, Nylocar, Pulmann, Marathonas, dentre tantas outras. Isso sem contar as capas feitas por pequenos estofadores locais, sob encomenda direta do proprietário do Fusca.

Anúncio de setembro de 1963.

As capas foram feitas com os mais diversos materiais: da napa ao chenille, do nylon à lonita. Havia modelos super-luxo, luxo e standard. Discretas e extravagantes. Foram empregadas cores as mais variadas, tudo para agradar o proprietário do besouro. Preto, marrom, vermelho eram as mais comuns. O xadrez (padrão escocês), cinza, areia também fizeram sucesso. A padronagem era igualmente diversificada, permitindo ao interessado um amplo leque de produtos à sua escolha.

Anúncio de novembro de 1967.

Muitos proprietários aproveitavam a oportunidade para "encapar" ou mesmo trocar a forração lateral do Fusca. Muitas empresas, tais como a Procar, Sarel e Capas Copacabana vendiam o kit completo, composto de capas de bancos, forrações laterais e o tampão do chiqueirinho. 

 Kit vendido pela carioca Procar, composto de capas dos assentos, tampão do chiqueirinho ....

... e forrações laterais.

Atualmente, está cada vez mais difícil de se encontrar essas capas antigas instaladas no Fusca, ao ponto de terem se tornado mais raras que o próprio revestimento original dos bancos. Apesar de extremamente populares em sua época, a maioria foi retirada ao longo dos anos (algumas vezes para propiciar a emoção que Júlio teve), tornando-as, hoje em dia, objeto de grande desejo entre os admiradores do besouro.

As capas da marca Procar possuíam a identificação da empresa estampada na lateral da capa, além da personalização dos botões utilizados na confecção do produto.

Anúncio de março de 1965.

Anúncio de dezembro de 1968.

Anúncio de dezembro de 1968.

Capas de nylon na cor caramelo em um Fusca verde amazonas.

Capas de proteção em um Fusca 1961.

 Capas Copacabana instaladas nos bancos de um Fusca 1964.

Capas da marca Procar.

Chamativas capas vermelhas.

Nem o Fusca 1500 escapou: seus bancos originais com gomos generosos também ganharam uma capa protetora.

As Kombis também aderiram à moda.

Repare na extrema beleza da padronagem das capas desta Kombi.


Até hoje as capas de proteção dos bancos são utilizadas nos veículos. Mudou o estilo (mais sóbrias), mudou o material (atualmente a maioria são feitas de neoprene), mas elas continuam firmes no mercado, sendo vendidas em concessionárias autorizadas, grandes redes de supermercados e nas boas casas do ramo automotivo. Por isso, certamente elas continuarão a despertar fortes emoções aos admiradores de veículos antigos.

6 comentários:

  1. Me vi nesse comentário feito no começo do post. O banco do meu 65 está novo, como saiu da fábrica. Ainda bem que as pessoas usavam estas capas no passado!!

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  2. Hoje as "capas Carrefour" não chegam nem perto dessas.

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  3. No meu 66, a capa do banco traseiro, ainda original Occhialini, está absurdamente impecável. As dos bancos dianteiros, sem salvação, foram refeitas no padrão bem parecido, mas longe da qualidade da original.

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  4. No meu 66, a capa do banco traseiro, ainda original Occhialini, está absurdamente impecável. As dos bancos dianteiros, sem salvação, foram refeitas no padrão bem parecido, mas longe da qualidade da original.

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  5. Eu tenho um jogo de capas desse pra venda.

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    1. oi andre, se quiser mandar fotos das capas e preço, agradeceria. mande para opasgarage@hotmail.com
      grato.

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