Fusca

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quinta-feira, 3 de março de 2016

VELAS DE IGNIÇÃO


A vela de ignição é um dos componentes que compõe o sistema de ignição de um veículo movido a motor de combustão interna. O sistema de ignição é constituído por bateria, bobina de ignição, distribuidor e vela. A vela de ignição se encaixa no cabeçote do motor e é responsável por inflamar a mistura ar/combustível por meio de uma faísca elétrica. É composta de um eletrodo central reunido num corpo de aço e isolado por material cerâmico, no qual salta uma centelha produzida pela bobina.

Anúncio de dezembro de 1950.

Coube ao alemão Robert Bosch, no início do século XX, o desenvolvimento das primeiras velas de ignição com rosca, semelhantes a que usamos atualmente. A partir daí surgiram diversas fábricas de velas no mundo inteiro. Na Alemanha. BOSCH e BERU. Nos EUA, a CHAMPION foi a primeira fábrica de velas na terra do Tio Sam. 

Anúncio de 1952.

Anúncio de fevereiro de 1956.

No Brasil, inúmeras empresas aqui se instalaram nos anos 50 e 60 para atender à demanda da então emergente indústria automobilística nacional. Cita-se VELAS CHAMPION DO BRASIL LTDA, em Cotia (SP); a AERO-JET VELAS PARA MOTORES S/A, no Rio de Janeiro;  CIGNISA CIA INTERNACIONAL DE IGNIÇÃO, também sediada no Rio, no bairro de Olaria, com assistência técnica da inglesa LODGE; a alemã ROBERT BOSCH DO BRASIL IND. E COM. DE ACESSÓRIOS PARA MOTORES E CHASSIS LTDA., sediada em Campinas (SP); CERÂMICA E VELAS DE IGNIÇÃO NGK DO BRASIL S/A, de origem japonesa, instalada na época em Mogi das Cruzes (SP) e a CIA BRASILEIRA DE VELAS MARCHAL, de procedência francesa, com sede no Rio, na Praia do Caju.

Anúncio de maio de 1961.

A BOSCH em particular, além das velas de ignição, foi fabricante de vários outros componentes elétricos que equiparam o Fusca, tais como bobina, bateria, condensador, platinado. dínamo, rotor, distribuidor, motor de arranque e do limpador de pára-brisa. A BOSCH foi parceira da VW desde o início da produção do Fusca, tanto no Brasil, quanto na Alemanha.

Anúncio de dezembro de 1963.

Os antigos Manuais de Instruções do Fusca traziam informações mais detalhadas a respeito das velas de ignição. Segundo o Manual de Instruções editado em agosto de 1959, a depender dos elétrodos e corpos isoladores, pode-se assim deduzir o estado das velas: (1) pardo: boa carburação e bom funcionamento; (2) negro: carburação excessivamente rica; (3) cinza claro: carburação excessivamente pobre; (4) cor de óleo sujo: vela com pouco uso ou com vedação insuficiente do pistão. 

Anúncio de novembro de 1971.

Por sua vez, Francisco Romeu Landi, em seu livro O Volkswagen (5ª edição, 1969, Ed. Discubra, São Paulo-SP), assim classifica os estados possíveis das velas de ignição:
  1. Condições normais: Sedimentos de cor marrom ou cinza e um leve desgaste dos elétrodos são as características de uma vela adequada para o motor. A limpeza e o ajuste da folga normalizarão o funcionamento.
  2. Condições normais: Alguns depósitos de cor branca e amarelada pode ser encontrados. Usualmente, ele indicam longos períodos de trabalho em velocidade constante ou um pouco de velocidade baixa no trânsito da cidade. Estes depósitos não tem influência no funcionamento do motor se as velas foram limpas cada 5.000 ou 6.000 quilômetros.
  3. Depósito de óleo: São causados pela passagem em excesso de óleo através dos anéis, entrando na câmara de combustão. As causas mais comuns desta perda de óleo são: desgaste dos anéis e folga excessiva nas guias das válvulas. Uma vela mais quente deverá ser usada no motor.
  4. Depósito de gasolina: São caracterizados por depósitos secos e pretos de uma combustão incompleta. Uma mistura de ar combustível muito rica, uso excessivo de afogador são as causas mais comuns de combustão incompleta. Por outro lado, uma bobina defeituosa, platinados gastos, ou cabo de ignição roto, podem ser causas de se ter menor tensão nos elétrodos das velas provocando falhas na ignição. Excessivo uso do motor em marcha lenta pode também ser causa dos depósitos, e neste caso é conveniente usar uma vela mais quente.
  5. Velas queimadas: São usualmente identificadas por um isolar branco e queimado, elétrodos bastante erodidos. Falta de arrefecimento do motor, distribuidor foram de calagem, e uso de combustível errado podem ser as principais causas deste defeito. Se apenas algumas velas estão queimadas é sinal que o resfriamento do motor não está sendo eficiente. Serviço pesado, velocidade elevada e cargas pesadas, podem também produzir temperaturas altas na câmara de combustão, o que exige velas mais frias.

Anúncio de dezembro de 1972.

Recomenda-se que a cada 5.000 km faça-se uma limpeza nas velas de ignição. A cada 15.000 km as velas de ignição devem ser trocadas. As velas devem ser limpas com uma escova e uma apara de madeira e sopram-se em seguida. Também os corpos isoladores devem ser mantidos bem limpos e secos na parte exterior das velas, para evitar curto-circuito ou descarga superficial da corrente. O afastamento dos elétrodos deve ser de 0,7 mm. Se necessário, tornar a regular, dobrando ligeiramente o elétrodo da massa. 

Anúncio de maio de 1977.

Para o Fusca as velas devem ter rosca com 14 mm de diâmetro. Eram indicadas as seguintes velas de ignição para o motor do Fusca: Bosch W175T1, T1A ou SP11, Beru 175/14, AC 43L ou 44, Auto-Lite AE6 ou AER6, Champion L10S ou L85, Firestone 147, KLG F70, Lodge H14, HD14 ou HN, NGK BP5HS, LUCAS LSP5P01,

A partir de 1984, com o lançamento do motor tork, as velas do Fusca passaram a ter rosca mais longa. Daí diferenciar-se as velas com rosca curta, utilizadas até 1983, e velas com rosca longa, utilizadas a partir de 1984.

Kitcar. Velas de ignição compunham o kit.

Por recomendável, eram comum o motorista possuir algumas velas de ignição sobressalentes no veículo, para qualquer eventualidade. O Kitcar, maleta com diversas peças e ferramentas para o Fusca, vendido nos anos 60, tinha, dentre seus inúmeros componentes, um jogo completo de 4 (quatro) velas de ignição, normalmente da marca Bosch. Para saber mais sobre o Kitcar, clique aqui.

Estojo de peças originais VW. As velas de ignição integravam o estojo.

Também um jogo completo de velas de ignição compunha o estojo original de peças disponibilizado pela Volkswagen do Brasil nos anos 50 e 60 (para saber mais sobre este estojo, clique aqui).

Protetor de borracha Isolator para a vela de ignição.

Havia, ainda, um habitáculo individual para a vela de ignição, de origem alemã. Com o nome ISOLATOR, era feito de borracha, recepcionando e protegendo cada vela sobressalente de forma exclusiva. Dois anéis de borracha tinham a função de manter unidas as duas partes do protetor. Podia ser guardado no porta-luvas ou no estojo original de ferramentas.

Catálogo alemão de acessórios dos anos 50. "Case" (Isolator) de proteção para a vela.

Suporte para velas de ignição sobressalentes.

Por fim, também na Alemanha, havia um suporte próprio para abrigar um conjunto de velas sobressalente. Por ser fixado na capelinha do motor do Fusca, ficava facilmente à mão para qualquer emergência.

Um comentário:

  1. Eu sempre quis saber quando foram usadas velas de rosca curta e de rosca longa nos Fuscas, esse post solucionou minha dúvida, valeu Opas.

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