Fusca

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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

BIZZ-BIZZ-BIZZZUUUUMMM!

O Bizorrão em exibição em Águas de Lindóia em 2007.

O Bizorrão foi um Fusca esportivo fabricado pela VW do Brasil entre outubro de 1974 a abril de 1975, também conhecido como Super Fuscão 1600-S, Fusca 1600-S ou besourão. O Bizorrão foi lançado em outubro de 1974 já como modelo 1975. O apelido Bizorrão foi dado pela própria VW do Brasil conforme se verifica do material de divulgação oficial do modelo na época. A VW fundiu o já conhecido apelido “besouro” do Fusca com a onomatopeia do som do motor: “Bizz-Bizz-Bizzzuuuummm”. Virou “Bizorrão”, afinal, não era um besouro qualquer mais, sim, um “Super Fuscão”, daí a razão do aumentativo. 1600 é a referência à cilindrada do motor, com 1.584 cm3. “S” é uma referência ao termo inglês “Sport” ou “esportivo” em português. Foi a versão mais equipada do Fusca e o único a sair de fábrica com conta-giros, amperímetro, manômetro e escapamento esportivo. 

 Anúncio de outubro de 1974.

Na apresentação do Bizorrão a VW prenunciava que “... já a partir do dia 3 de outubro próximo o Bizorrão fará a zorra de jovens e coroas ouriçados na onda ...”. Aliás, a VW usou e abusou das gírias muito em voga naquele tempo - principalmente entre a juventude e hippies de todas as idades – justamente para chamar a atenção desse público. A cada uma das partes do veículo que era novidade no modelo atribuiu-se um jargão próprio. Assim, ao volante, “zorra”, à alavanca de câmbio, “zig-zag”, à tomada extra de ar, “zifôlego”, aos bancos, “zum zum”, às rodas, “zás-trás”, ao motor, “zuncador” e ao painel, “ziing”! Adiante, transcrevo texto de propaganda de época onde esse linguajar peculiar e “descolado” foi utilizado para anunciar a nova versão do Fusca: “V. viu o que a VW aprontou agora? Outra boa. Ela pegou os macetes mais curtidos por aí, juntou tudo bem juntado e saiu com este tremendo carango que é o Bizorrão. Putz! Um ouriço, podes ver pra crer: motor zuncador, com 1600cc de veneno. Entrada extra de ar, em relevo, zifôlego! Rodas aro 14 zás-trás, fazendo o carro mais bairo e agarrado na pista. Já tá sentindo a barra da performance? Então, saca como v. vai comandar a máquina: o volante zorra e o câmbio zig-zag são pequenos, tipo competição. Tá sabendo, quanto menor o movimento que o piloto tem que fazer, mais depressa o carro obedece. Zapt! Zupt! Os bancos zum-zum, com encosto que segura v. nas curvas. (Reclinam até o assento de trás pra v. transar bem uma parada.) E o painel tem conta-giros, e tudo que é marcador, pra v. ficar sempre dono da situação num passar de olhos ziing! Agora, não fique tranqüilo aí, que a esta altura tem bicho demais vidrado no Bizorrão. Se v. quer descolar o seu, tem que pintar depressa num Revendedor VW”. 

Super Fuscão 1975 na cor vermelho rubi.

O Super Fuscão começou a ser vendido em 3 de outubro de 1974 nas cores Amarelo Imperial (L6005), Branco Lótus (L282) e Vermelho Rubi (L5000). Em testes feitos no veículo por ocasião de seu lançamento, fazia de 0 a 100 km/h em 16,5 segundos; velocidade máxima de 136 km/h, retomada 40 a 100 km/h em 25,7 segundos, frenagem de 80 a 0 km/h em 28,8 metros, consumo médio de 10,2 km/l na cidade e 11,9 km/l na estrada a 80 km/h. Em dezembro de 1974 era vendido por Cr$ 27.154,00. Foram fabricadas cerca de 5.675 (cinco mil, seiscentas e setenta e cinco) unidades dessa rara versão. A numeração do chassi do Bizorrão começou com BD 000100 (primeiro chassi). O bizorrão mais antigo conhecido possui chassi BD 000101 (localizado em São Paulo) e o mais "recente" tem o chassi BD 005775 (também localizado em São Paulo).

CARACTERÍSTICAS BÁSICAS:

Motor de 1584 cm3, com dupla carburação, filtro de ar seco, com potência de 65 cv a 4.600 rpm, torque de 12 mkgf a 3.000 rpm, diâmetro de 85,5 mm e curso de 69 mm.

Dístico “1600 S” de metal, fixado em uma tomada de ar extra em preto fosco instalada sobre a abertura da tampa do motor.

 A tampa do motor do Bizorrão não tinha as tradicionais aletas de ventilação, apenas os vãos das duas aberturas principais. 

 Escapamento esportivo, de única saída na lateral esquerda, semelhante ao usado pelo SP2.

 Rodas aro 5J x 14H, com pneus 175 S x 14 e calotas centrais pequenas.

Volante exclusivo feito pela Walrod (modelo XK). revestido em courvin preto e de menor diâmetro.

Instrumentos do painel (velocímetro, conta-giros e marcador de combustível) com aros externos na cor preta.

Marcador de combustível: ponteiro vermelho e moldura preta.

Velocímetro marcando 160 km/h de velocidade máxima.

Conta-giros no painel.

Instrumentos adicionais sob o painel constituído de amperímetro, manômetro (marcador de temperatura do óleo) e relógio de horas instalados em moldura plástica preta.

Os instrumentos podiam ser da marca VDO ou Horasa e sempre com ponteiros vermelhos.

Alavanca de câmbio mais curta, com coifa exclusiva.

Bancos dianteiros mais anatômicos e totalmente reclináveis.

Sistema de reclinamento da Probel.

Interior com forração acarpetada no túnel, caixas de ar, cangalha e caixas de rodas internas, substituindo o tradicional carrapatinho plástico. Freios a disco na dianteira e tambor na traseira.

Bitolas mais largas (1326 mm na dianteira e 1.363 mm na traseira).

Número do chassi e do motor com iniciais BD. Exemplo: chassi nº BD 001550, motor nº BD 005001.

Plaqueta de identificação localizada no berço do estepe: chassi com iniciais BD identificam o modelo.

 Faróis com lente abaulada, da marca CIBIÉ ou ARTEB HELLA, e aro com três parafusos.

 Detalhe do suporte do pára-choque. Lâmina dos pára-choques chanfrados (clique aqui).

Alça de abertura do capô dianteiro.

Lanternas traseiras: tricolores até dezembro de 74 e bicolores a partir de janeiro de 1975. Fabricantes: ARTEB HELLA, CIBIÉ, BIANCO SAVINO, POLIMATIC.


Configurações Técnicas:

Motor: 1.584 cm3, de combustão interna, 4 tempos, montado na parte traseira do veículo, 4 cilindros opostos 2 a 2, horizontalmente, diâmetro: 85,5 mm; curso  do pistão: 69 mm; razão de compressão: 7,2:1, válvulas no cabeçote, folgas das válvulas: 0,10 mm; potência máxima: 65 cv a 4.600 rpm (SAE)/ momento de força: 12 mkgf a 3.000 rpm (SAE); lubrificação por pressão, com bomba de engrenagens e radiador de óleo; arrefecimento a ar, por ventoinha.

Sistema de Alimentação: por bomba de gasolina mecânica; 2 carburadores de aspiração descendente do tipo Solex 32 PDSIT; difusor: 24 mm; calibre do pulverizador principal: 147,5; calibre de ar do pulverizador principal: 100; calibre do pulverizador da marcha lenta: 52,5; calibre de ar da marcha lenta: 195,0; calibre do pulverizador da bomba de aceleração: 40 - tubo injetor, 9 altura do bico do tubo em relação à junta; vazão da bomba de aceleração (cm3/acionamento): 0,35 a 0,45; válvula estilete: 1,2 mm; junta da válvula estilete (espessura): 1,0 mm; abafador: automático; filtro de ar: seco.

Embreagem: monodisco a seco; platô tipo membrana. Folga do pedal: 10 a 20 mm.

Caixa de Mudanças: mecânica, 4 velocidades sincronizadas à frente e uma ré. Alavanca de mudanças no assoalho com coifa semelhante ao SP2. 

Freios: dianteiro: a disco; traseiro: a tambor. Hidráulico nas quatro rodas.

Bateria: 12 volts, 36 Ampéres/hora. 

Velocidade Máxima: 134 km/h, com consumo de 9 litros/100 km.

Quantidade de Abastecimento: reservatório de gasolina: 41 litros; cárter do motor: 2,5 litros; transmissão com capacidade de 3 litros e reabastecimento de 2,5 litros; caixa de direção: 160 cm3 graxa; reservatório do líquido de freio: 0,25 litro.

Buzina: dupla

Tapetes: tipo de nylon bouclê.

Ar quente: opcional.

Janela traseira: fixa. Basculante opcional.

8 comentários:

  1. Ótimo post com excelentes fotos e bom detalhamento do modelo, inclusive este é dos já fabricados meu favorito, porém o curso do virabrequim é de 69 mm e não 60 mm.

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    1. olá, obrigado pelo feedback, já alterei o dado. abraços.

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  2. Lindo! Tem um aqui em São Leopoldo mesma cor à venda por 35k!

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  3. Acho esse Fusca maravilhoso ! Prefiro ele mil vezes àquele Fusca Mexicano de vidros maiores, que quebrou a harmonia das linhas do Fusca. Esse carro fez grande sucesso na época, lembro-me de meu pai falar bem dele, mas o preço era superior também e muitos preferiam a Brasilia pelo preço semelhante. Sem dúvida era "o Fusca" !!! Lindo mesmo !

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  4. Otima materia sobre o bizorrao!... Informações muito validas, so pra constar o botao do volante nao é o modelo oriinal do 1600s, ele vinha com a inscrição XK Walrod. Parabens pela materia!...

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    1. olá, obrigado por prestigiar o blog. obrigado, principalmente, pelo feedback. Já alterei a foto e melhorei a informação do volante. Grato

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  5. Parabéns pelo excelente conteúdo sobre o Bizorrão, se for de interesse, tenho uma pagina no Face exclusiva sobre ele!
    https://pt-br.facebook.com/VW1600S/

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  6. Esse "Bizorrão", quando conservado como os do post é bonito demais, mas só um adendo: "Bizorrão" NÃO É SÉRIE ESPECIAL DO FUSCA, mas sim um modelo de série como outro qualquer que foi fabricado, tirado de linha e substituído pelo outro 1600 no segundo semestre de 1975 que tinha a aparência dos outros Fuscas comuns, mas mantendo a mesma mecânica.

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