Fusca

Fusca

sexta-feira, 25 de maio de 2018

FUSCÃO PRETO

Almir Rogério e seu Fuscão Preto.

Música no estilo sertanejo que fez estrondoso sucesso na voz de Almir Rogério no início da década de 1980. Graças a esta canção, o disco de Almir Rogério vendeu mais de 1,5 milhão de unidades e projetou o artista no cenário nacional. Foi a música mais executada nas rádios no ano de seu lançamento.

Geovante e Mariel foram os primeiros artistas a gravar a música Fuscão Preto.

A música foi escrita baseada num fato real: a traição de uma mulher casada, vista regularmente entrar em um Fusca preto, onde seu amante sempre a aguardava para os encontros amorosos. Essa cena foi observada diversas vezes por dois pintores que pintavam um prédio nas imediações. A cidade era Serra Negra (SP) e os pintores chamavam-se Geovante e Mariel. Mariel era apaixonado por música sertaneja e levou o insólito caso ao conhecimento de Atílio Versutti, reconhecido compositor de música popular brasileira atualmente falecido. Atílio compôs a letra de Fuscão Preto e, Mariel, a música. Mariel acabou cedendo sua parte na autoria da música para Jeca Mineiro, razão pela qual a música Fuscão Preto é atribuída, formalmente, a Atílio Versutti e Jeca Mineiro. Geovante e Mariel chegaram a gravar um LP com a música Fuscão Preto, porém, sem qualquer sucesso. Foi apenas na voz de Almir Rogério que a música estourou em todo o país, fazendo enorme sucesso.

A música tinha a seguinte letra:

“Me disseram que ela foi vista com outro
Num Fuscão preto pela cidade a rodar
Bem vestida igual a dama da noite
Cheirando álcool e fumando sem parar

Meu Deus do céu, diga que isto é mentira
Se for verdade me esclareça por favor
Daí a pouco eu mesmo vi o Fuscão
E os dois juntos se desmanchando de amor

Fuscão preto, você é feito de aço
Fez o meu peito em pedaço
Também aprendeu a matar

Fuscão preto, com o seu ronco maldito
Meu castelo tão bonito
Você fez desmoronar”

A letra propicia extrair algumas características do Fusca: é preto, “feito de aço” e seu motor “ronca” (esse som é qualificado como tendo um “ronco maldito”), sugerindo que o motor tenha sido envenado, ou, numa fórmula mais simples, equipado apenas com um escapamento esportivo.

Compacto de Almir Rogério com a icônica Fuscão Preto.

Uma melhor visão desse Fusca podemos ter nas capas dos LPs da época. O Fusca que ilustra a capa do compacto de Almir Rogério, lançado pelo selo Copacabana em 1981, além da cor incomum, tinha rodas esportivas do tipo tala larga, farol tremendão com os aros pintados em preto, espelho retrovisor externo esportivo, para-choques pintados em preto, lente do pisca cristal e faróis de milha quadrados.

LP Sertão Jovem: o Fuscão sempre bem equipado com os melhores acessórios da época.

Em 1982, Almir Rogério lança o LP Sertão Jovem, onde, novamente, um Fuscão Preto abrilhanta a capa. Desta vez, trata-se possivelmente de outro veículo, pois percebe-se algumas diferenças tais como a ausência de faróis de milha, os aros do farol agora são cromados, os para-choques, agora também cromados, ostentam um borrachão de proteção, o espelho retrovisor externo é do tipo original (de plástico, utilizado nos Fuscas a partir do modelo 1979), além de estar equipado com rodas de ferro e teto solar de lona (possivelmente feito pela Santilli (Equipamentos Santilli, de São Paulo/SP).

Filme Fuscão Preto: estrelado por Xuxa Meneguel. E o Fuscão mais invocado que nunca!

O sucesso da canção acabou virando um filme estrelado por Xuxa Meneguel (em início de carreira) contracenando com o próprio Almir Rogério. Lançado em 1983, a película foi dirigida por Jeremias Moreira Filho de contou com a participação de Dionísio Azevedo, Monique Lafond, Mario Benvenutti e Zé Coqueiro e Filoca. Obviamente, a música Fuscão Preto compôs a trilha sonora do filme.

O Fuscão desse filme possuia um gigantesco para-choque cromado, contava com espelho retrovisor no lado direito e esquerdo, rodas gaúchas, total ausência de frisos, ausência de estribos (no local há uma chapa cromada fixada na carroceria), para-lama do tipo olho de boi porém sem os faróis (possivelmente feito em fibra, pois tem-se a impressão dos para-lamas serem mais largos que o modelo original), tampa traseira com aletas do Fusca 1500 fabricado até 1972, uma espécie de protetor externo de para-brisa, tomada de ar sobre o capô dianteiro e na lateral do veículo, vidros de acrílico.

Película picante: O Motorista do Fuscão Preto.

Outro filme lançado na época, aproveitando a onda do Fuscão, foi “O Motorista do Fuscão Preto”, dirigido por José Adalto Cardoso e estrelado por José Lucas, Diogo Angelica e Vanessa. Este, contudo, mais apimentado, continha cenas de sexo e nudez. Nesse filme, o Fusca deu uma modernizada pois conta com faróis retos (introduzidos a partir do modelo 1973) e rodas esportivas.

LP Nestor e Nestorzinho: aproveitando a onda de sucesso do Fuscão.

O sucesso da música fez com que várias artistas acabassem também gravando a moda, dentre eles Adilson Ramos, Delmir, Geovante e Mariel, Gilberto e Gilmar, Irmãs Elias, Jeca Mineiro e Luizinho, Macuco e Maré Mansa, Maestro José Paulo Soares, Marco Antônio, Maurício, Maurozinho e Machadinho, Miltinho Rodrigues, Miramar e Miraí, Mococa e Moraci, Nestor e Nestorzinho, Nilsen e Nanci (Duo Guarujá), Os Barões, Os Gladiadores, Poly e seu Conjunto, Praião e Prainha, Sábado e Domingo (não se espante, esse é o nome da dupla), Santa-Fé Country Band, Silveira e Silveirinha, Teodoro e Sampaio, Terrinha e Terrão, Trio Arizona, Trio Vandeirante, Zé Batista e Darlon, Zelão e Cidinha.

Lady Francisco era "A Moça do Fuscão".

Outros cantores aproveitaram a onda de sucesso da música e gravaram canções com referências ao Fuscão Preto. Assim fizeram Nhá Barbina com a música “Mané do Fuscão Preto”; Paulo Motoca gravou “A Mulher do Fuscão Preto”; Lady Francisco lançou a canção “A Moça do Fuscão”; Os Gladiadores, “O Motorista do Fuscão Preto”;  Sadi Santino Soneli, O Trio dos Três S, “A Dama do Fuscão Preto”, a Banda gaúcha Os Brilhos do Rio Grande atacaram de “Fuscão Vermelho” (1981); Duo Londrina, "Fuscão e Opala de Fossa".


Fusca Itamar 1994 preto.

Mas afinal, existiu Fusca pintado em preto de fábrica? A resposta é afirmativa: na linha 1971/72 havia a opção de preto (código L41) apenas para o Fusca 1500. E também na linha 1993/1994 do Fusca Itamar a cor preta era uma opção disponível (Preto Universal).  

Um comentário:

  1. Excelente texto novamente, vivi essa época do Fuscão preto, era bem engraçado, e além disso, muitos fuscas viraram pretos por causa da canção.

    ResponderExcluir