Fusca

Fusca

terça-feira, 2 de outubro de 2018

FASCINAÇÃO


Sempre chamou-me a atenção o fascínio que o Fusca exerce sobre as crianças.


Elas não tem a mínima ideia do que é um Mustang, Opala, Cadillac, Porsche, ou mesmo conseguem distinguir um modelo do outro. Muito menos reconhecem as marcas das dezenas de hatchs e Suvs que infestam o trânsito no dia-a-dia.


Todavia, quando os pequeninos veem um Fusca, a reação é instantânea: apontam o dedinho e exclamam em meio a um sorriso largo: "Um Fusca! Um Fusca!".


Sim, o Fusca tem esse mágico poder de atrair os olhares e corações dos infantes.  


E qual a explicação disso?


Seria o formato do Fusca, de caráter universal, arraigado na cultura popular, facilmente reconhecido em qualquer lugar e por qualquer geração?


Ou seria uma reação instintiva - uma lembrança genética - pelo fato de o pai ou o avô terem sido no passado proprietários de um besouro, e cujas histórias de outrora ainda permeiam o seio familiar.


Talvez os brinquedos recebidos - carrinhos em formato de Fusca - ajudam nessa identificação?


Ou seriam as fotos antigas guardadas na gaveta da mãe, onde algum familiar aparece ao lado do Fusca, despertando a atenção do bambino.


Talvez nem Freud explique essa atração! 


Todavia, mais do que olhar um Fusca, a suprema felicidade infantil é estar dentro dele!


É no interior do besouro que suas pueris fantasias se tornam realidade; tocar o carrinho, atentar para as diferentes texturas, sentir seu cheiro característico, sentar no banco do motorista e virar freneticamente o volante para simular estar dirigindo o Fusquinha, murmurando o indefectível "Brum, bruuum, bruuuuuuuuum! Bibiiiiiiiiiip!".


Sim, o Fusca não é só forma; é também cheiro e barulho. Na verdade, atiça diversos sentidos: a visão, que se admira de seu feitio único e inconfundível; o olfato, que se inebria com o cheiro peculiar quando se entra no besouro; a audição, que torna seu motor e buzina absolutamente singulares; a emoção, pelo acelerar do coração ao andar pela primeira vez no pequeno Sedan.


Com um adulto na direção, o local preferido das crianças é no chiqueirinho. Aconchegante, proporciona uma sensação de proteção aos pequeninos. "Puxa vida papai, que cantinho legal pra brincar! Posso ficar aqui?


Quantas crianças tiveram as primeiras "aulas" de direção com um Fusca? Entre a década de 1960 a 1980, certamente boa parte dos brasileiros tiveram algum contato com o besouro. Meus filhos, hoje quase adultos, aprenderam - tal qual o pai - a dirigir em um Fusca. 


Esse enigmático encanto que as crianças de hoje em dia têm pelo besouro - a despeito de não ser mais fabricado há mais de duas décadas - é, certamente, garantia de que o Fusca continuará sendo admirado e, portanto, preservado por muitos e muitos anos ainda A sobrevivência do espécime está a cargo desses pequeninos, afinal, as crianças de hoje são os adultos de amanhã.

(Obrigados ao amigos Rocha (Fusca 1963), Thiago (Fusca 1964) e Maurício (Fusca 1959) pela gentil cessão de algumas fotos que ilustram este post).

3 comentários:

  1. As formas orgânicas também as crianças os entendem como um bicho de estimação ou um amigo!

    ResponderExcluir
  2. Belo texto, acho que todos nós que hoje temos fuscas ou trazemos as lembranças da infância ou simplesmente temos o carro como algo natural, era tão natural ter um Fusca há alguns anos atrás que para nós isso ainda é natural e ninguém quer deixar essa paixão de lado. E claro, desde sempre as crianças adoram os besouros!!! Como nós!!!

    ResponderExcluir
  3. Excelente matéria. Inteligente, lúdica e sintetiza tudo que vi e ouvi sobre esse icone do automobilismo. Quando vejo um Fusca logo lembro uma propaganda que mostra metade do perfil de um garoto sorrindo e outro, da frente do Fusca, cuja curvatura do capô complementa o sorriso. Ou seja, o Fusca é simpatico e retrata a felicidade.

    ResponderExcluir