Fusca

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quarta-feira, 13 de junho de 2018

JANELAS CAPRI. ACESSÓRIO PARA A KOMBI

Anúncio da década de 1960.

Comparativamente ao Fusca, para a Kombi havia uma quantidade bem menor de acessórios. Compreensível, afinal, a maioria absoluta da frota desse veículo era destinada ao trabalho, razão pela qual enfeitar, aprimorar ou melhorar a Velha Senhora não era uma prioridade de seus proprietários.

Anúncio de 26 de maio de 1963. Jornal da Manhã.

Um desses poucos acessórios feitos para a Kombi Corujinha consistia na troca do vidro corrediço das portas dianteiras por outro que subia e descia (ou como diziam os anúncios de época, "levantam e arriam", igual ao Fusca.

Anúncio de 18 de agosto de 1963. Jornal da Manhã.

Fabricado pela empresa INDU Cia Indústria Metalúrgica, da cidade do Rio de Janeiro, então localizada na Rua Nerval de Gouveia, 273, o acessório foi denominado "Janelas Capri". Além de mudar levemente o visual da Kombi, a nova janela oferecia maior conforto, melhor visibilidade, maior circulação de ar para o interior do veículo e maior facilidade nas manobras, pois permitia que o motorista pudesse colocar a cabeça ou parte do corpo para fora do veículo, de modo a melhor observar o derredor quando fosse estacionar de ré.

Anúncio de 25 de agosto de 1963. Jornal da Manhã.

A instalação podia ser feita em várias empresas no Rio de Janeiro, tais como o Reis dos Frisos, Brasília Auto Capas, Vidrex, Auto Mecânica Vogue, Pára-Brisa Guanabara, Vidraçaria Lenita, Simão & Bittencourt, etc. 

terça-feira, 12 de junho de 2018

KOMBI. BATENTE INFERIOR DA PORTA.

Destaque para o batente inferior da porta.

O batente inferior da porta da Kombi, peça número 211.809.501.1, também chamado de contorno do pára-lama ou somente de para-lama da Kombi. sofreu leve modificação no modelo 1967, por ocasião do lançamento da Kombi com motor de 1.500 cc.

Diversos batentes inferiores da porta da Kombi.

Na linha 1967, a Kombi, dentre diversas outras mudanças, ganhou novas rodas com aro de 14 polegadas (antes eram 15') e novos pneus, com banda de rodagem mais largo, razão que determinou a mudança no perfil do contorno do para-lama da velha senhora.

Perceba a diferença entre as peças.

O novo contorno passou a ter o perfil mais estreito. Antes, a largura no ponto central da peça era de 4,5 cm; a partir de 1967, passou para apenas 2 cm, uma diferença de 2,5 cm nesse ponto. Além disso, há diferenças em sua curvatura.

A peça superior, mais larga, foi utilizada até 1966; a inferior, mais estreita, a partir da linha 1967.

Até 1966 a peça tinha a largura de 4,5 cm, aproximadamente.

A partir de 1967, a largura é de 2 cm.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

MUFLA INTERNA

Muflas internas.

Até 1961 o Fusca possuía um par de muflas internas, integrantes da carroceria do veículo, localizadas embaixo do banco traseiro, no lado direito e esquerdo, instaladas entre a tubulação que conduz o ar quente para o interior do veículo. Composta por duas capas de metal, abriga, no seu interior, um cilindro vazado feito de uma grade metálica revestida por algodão e recoberta por uma juta, substituída, posteriormente, por um tecido. A finalidade desse cilindro é minimizar o ruído do motor no interior do veículo e não filtrar o ar, como alguns pensam. Funciona como um anti-ruído. Tanto que na literatura alemã, essa mufla é denominada de "geräuschdämpfer" ou seja, "absorvedores de ruído".

Mufla embaixo do banco de um Fusca Split.

Muflas utilizadas até 1955.

Até 1955, essas muflas eram maiores que as introduzidas a partir do modelo 1956, lançado em agosto daquele ano. De fato, a partir do modelo 1956, chassi nº 1-929.746, a largura do assento do banco traseiro foi diminuída, o assoalho também teve de ser modificado e a bateria foi reposicionada, razão pela qual essas muflas tiverem o seu tamanho modificado.

Mufla em um Fusca 1961.

A finalidade continuou a mesma, porém, muflas anteriores a 1955 não se ajustam à carroceria do modelo 1956 em diante. A capa da mufla é fixada no local mediante a dobra de 4 (quatro) travas e de 2 (dois) parafusos de fenda com rosca soberba.

Muflas utilizadas de agosto de 1955 a 1961.

Diferença do tamanho das muflas: a vermelha (maior), usada até meados de agosto de 1955 e, a cinza (menor) a partir de então.

A mufla maior possui 25,5 cm de comprimento; a menor tem 22,5 cm. Ambas possuem a mesma largura, qual seja, 11,2 cm, de uma extremidade da aba a outra. A largura da aba também é a mesma: 1 cm.

Figura 35: em 1959 houve a introdução de mais uma capa

Em agosto de 1959, a partir do chassi nº 2.528.668, as muflas ganharam mais uma capa (uma sobrecapa na verdade)(, feita em material plástico que as envolviam por completo. Assim, além das capas metálicas, uma capa de plástico passou a envolvê-las. Essas capas acabavam se deteriorando com o tempo, sendo muito raro deparar-se com um besouro desse período, que ainda as tenha.

Capa plástica utilizada a partir de agosto de 1959.

Fusca 1962: sem as muflas.

As muflas internas foram utilizadas até 1961. A partir do modelo 1962, a mufla localizada embaixo do banco foi substituída por um tubo cilíndrico simples. O sistema de anti-ruído passou a ser exercido pelas próprias mangueiras flexíveis conectadas nas muflas externas do ar quente, que passaram a ser fabricadas de material plástico (até 1961 as mangueiras traseiras eram de metal), forrada internamente com algodão.


Esquema do ar quente, com destaque para as mudanças da conexão do ar para o interior da carroceria.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

O ACESSÓRIO DO ACESSÓRIO. RECEPTOR DE ONDAS CURTAS.

Fusca oval com receptor de OC instalado embaixo do painel.

O Fusca não saia de fábrica equipado com rádio. Era um acessório instalado posteriormente pelo proprietário, inclusive nas próprias concessionárias Volkswagen. 

Detalhe do equipamento da Blaupunkt.

Uma vez instalado o rádio no veículo, surgiu o acessório do acessório: um equipamento receptor de ondas curtas (OC), que era conectado no rádio para possibilitar sintonizar estações que transmitiam sinal em ondas curtas, com frequência entre 3 e 30 MHz, que se propagam a grandes distâncias. A recepção em OC faz com que se possa ouvir rádios em lugares afastados, inclusive de outros países.

Dentre os diversos acessórios deste Fusca, destaque para o receptor de ondas curtas da Blaupunkt.

O mais famoso receptor de ondas curtas foi o modelo fabricado pela Blaupunkt, fornecedora oficial de rádios para a Volkswagen, lançado na década de 1950. Funcionava em 6 ou 12 volts e era instalado embaixo do painel do Fusca, em sua parte central. Tinha formato estreito, de modo que não atrapalhava qualquer movimento dos ocupantes. 

Folder da Blaupunkt com a apresentação do receptor.

O equipamento da Blaupunkt possuía um espelho cromado em sua borda. Os botões podiam vir na cor preta ou marfim. Um cabo conectava o receptor ao rádio do veículo, O receptor de OC feito pela Blaupunkt podia ser conectado em todos os modelos de rádios da marca fabricados à época, tais como os modelos Bremen ATR, Hamburg ATR, Köln Cologne TR De Luxe, Hannover TR, Essen ATR Frankfurt ATR e Stuttgart ATR. Nesse modelos, a recepção em OC só era possível acionando o botão "M".

Prospecto americano do equipamento.

A Blaupunkt fabricou diversos modelos do receptor ao longo dos anos, identificados por letras e números: KV 800, KV 810, KV 820 e KV 900. 

Modelo de receptor com botões pretos.

Vista lateral do aparelho da Blaupunkt.

Além da Blaupunkt, outras empresas fabricaram o receptor de ondas curtas, tais como a alemã Grundig e a italiana Autovox.

Equipamento da Grundig.

Prospecto da italiana Autovox, com destaque para o receptor de OC.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

FUSCA DO AMOR

Compacto de Rosa Maria: O Fusca do Amor.

A cantora brasileira Rosa Maria foi precursora no Brasil ao associar, formalmente, o "amor" ao "Fusca".  Em 1967, por meio da gravadora Odeon, a artista lançou o compacto "Fusca do Amor" que tinha duas faixas: além de "Fusca do Amor", a outra canção era "Bate-Bate".

A outra faixa: "Bate-Bate".

Lembremos que o Filme "Se Meu Fusca Falasse", cujo título original era "Love Bug" (Fusca do Amor) só foi lançado dois anos depois, em 1969. Composta por Geraldo Nunes e Elias Soares, a letra da canção era a seguinte, com linguajar bem próprio da época ("broto", "gamada"):

“Peguei meu Fusca,
Saí em busca 
De alegria pro meu coração
Um lindo broto se aproximou
E me contou sua solidão
Saímos juntos, 
Trocamos juras, 
Mas era tudo simples aventura
Agora vejo que estava enganada
Eu fiquei mesmo foi apaixonada.
Eu que zombava 
E duvidava 
Que um amor me roubasse a paz
Agora vejo que estava enganada
Estou gamada por esse rapaz” 

Deleite-se com a música "Fusca do Amor".

sexta-feira, 1 de junho de 2018

CHAVE DA PORTINHOLA DA KOMBI

Até outubro de 1970, a abertura da portinhola para acesso à tampa do tanque de combustível da Kombi era feita por uma chave que acompanhava o estojo de ferramentas da velha senhora, conhecida por chave quadrada.

A boca de encaixe da chave tinha formato quadrangular: bastava encaixar no local e girar para que se liberasse a portinhola.

A chave original tinha logo VW e part number 231.829.565 Z

A mesma chave quadrada foi utilizada para abertura da tampa do motor da Kombi. Esse sistema de abertura foi utilizado até dezembro de 1966, chassi nº B6-110.894.

Para facilitar o acesso à chave, alguns proprietários instalavam um suporte instalado no parafuso de fixação da forração interna da cabina. Com isso, a chave estava sempre à mão.

A partir de outubro de 1970, a VW do Brasil mudou o formato da chave da portinhola; ficou menor e de mais fácil manejo. 

A nova chave passou a acompanhar o jogo de chaves da Kombi, deixando de integrar o estojo de ferramentas e foi utilizada até o modelo 1974. A partir de 1975 a portinhola perde a trava e passa ser aberta manualmente, sem a necessidade de chave.

terça-feira, 29 de maio de 2018

TRAILERS E REBOQUES

 Acampar propicia maior contato com a natureza.

O hábito de acampar, tão difundido na Europa e EUA onde há milhares de adeptos à cultura da vida ao ar livre, teve seu auge no Brasil nas décadas de 60 a 80.

Trailer sendo rebocado por um Fusca oval.

A depender do espírito de aventura, da disponibilidade financeira e do tamanho da família, podia-se desfrutar dos prazeres do campo ou da praia utilizando-se de uma simples barraca a equipamentos mais confortáveis e práticos, como uma carreta-barraca, um trailer ou, até mesmo, um motorhome.


Considerando que o Fusca naquela época era um dos carros mais populares na Alemanha e hors concours  no Brasil, muitos equipamentos para camping foram desenvolvidos para adaptarem-se ao besouro.

Reboque Westfalia-Anhänger: popular na Alemanha.

Westfalia: equipando o Fusca desde o início da década de 1950.

Na Alemanha, os reboques e trailers mais famosos eram feitos pela Westfalia-Anhänger, cujos produtos, desde a década de 1950, faziam um belo conjunto com o Fusca. Os modelos de reboques Westfalia tinham nomes de cidades da Alemanha, tais como Wolfsburg, Frankfurt, Leipzig, Koblenz, Mainz, Oberland, Köln, Bremen, Weimar, Stuttgart, etc. Outros fabricantes alemães eram a Stolz Fahrzeugfabrik, de Berlim, Auto-Porter, H.Austermann (produtos da marca Knospe) e Ernst Hahn Fahrzeugbau, de Stuttgart.

Westfalia: perfeito para o Fusca.

Carreta do tipo mono-roda em um Fusca 1956, fabricado pela empresa Stolz.

Outro modelo de reboque mono-roda.

Alguns modelos mono-roda eram articuláveis, permitindo serem dobrados sobre a carroceria quando não em uso.

Reboques da alemã Auto-Porter.

Ernst Hahn: reboque para Fusca semelhante à Westfalia.

No Brasil, a empresa paulistana Camping Ind. e Com. de Barracas Ltda, lançou em 1967 uma barraca portátil que era instalada sobre o teto do Fusca. Acomodando um casal e uma criança, a barraca era acessada por uma escada lateral. Sua grande vantagem era a rapidez em sua montagem, aliado ao fato de seus ocupantes ficarem livres de umidade, areia e insetos, dada sua posição elevada em relação ao solo.

Anúncio de 1967.

Ainda nos anos 60, surge a Turiscar, a primeira fábrica de trailers do Brasil. Desenvolveu o modelo Turiscar Caravana, que, graças a seu pouco peso, era ideal para ser rebocado pelo Fusca, na época ainda com motor de 1200 cc.

Anúncio de junho de 1966.

Anúncio de junho de 1969.

Anúncio de setembro de 1970.


Trailer Turiscar sendo "puxado" por uma VW Variant.

Nos anúncios de época, a Turiscar referia-se ao seu trailer como um hotel sobre rodas. De fato, tinha uma cama de casal, dois beliches, mesa, armários embutidos, geladeira, fogão e pia com água corrente, acomodando com conforto 4 (quatro) pessoas. Em São Paulo, os trailers da Turiscar eram vendidos com exclusividade pela Bruno Tress S/A, autorizada da VW. Em anúncio da Bruno Tress, de junho de 1966, o trailer Caravana é rebocado por um Fusca.

Anúncio de outubro de 1966.


Fuscão rebocando um trailer.

Outras empresas surgiram oferecendo de trailers a pequenos reboques para o transporte de cargas menores: LIDINAL, FREDOTTO (trailer), PUMA (reboque), ZELOSO (Rebo-Car), LARA CAMPOS (Samboque), IMCOP (carreta mono-roda). 

Anúncio de abril de 1964.

Anúncio de setembro de 1964.

Anúncio de abril de 1965.

Anúncio de junho de 1971.

Na década seguinte multiplicam-se os campings. Junto vieram as associações de campismo. Produtos cada vez mais modernos, leves e retráteis surgiram no mercado para atender a um número cada vez maior de adeptos à prática de acampar.

Carretas Fapinha e Karmann.

As carretas tornaram-se bastante populares. Havia diversos modelos disponíveis, tais como os modelos feitos pela CAMPING CAR, de São Leopoldo (RS), que produziu uma carreta-barraca feita em chapa galvanizada. A KARMANN-GUIA fabricou os modelos RE 350, adequado para o camping familiar e o RE 1802-U, mais utilitário. Também a FAPINHA, de São Paulo (SP) e a TONI, de Itajaí (SC), produziram suas carretas. Porém, um dos modelos mais populares entre os freqüentadores de camping era a carreta-barraca CAMPING STAR, feita pela empresa de mesmo nome, então localizada no bairro da Lapa, em São Paulo (SP).

Reboques Campingcar e Toni.

A grande vantagem do reboque da CAMPING STAR é que a barraca vinha acoplada na própria carreta, facilitando, em muito, o processo de montagem, que podia ser feito em menos de meio minuto! Com a CAMPING STAR era bem mais fácil acampar, principalmente para quem não gostava de fazer força ou perder tempo armando a barraca. Podia acomodar até 6 (seis) pessoas.

Anúncio de novembro de 1982.

O uso de qualquer desses equipamentos torna a atividade de acampar mais prazerosa. Por isso, nada de comodismo. Acampe. E vá de Fusca. Você estará mais próximo da natureza, mais próximo de sua família, mais próximo de seu besouro!